Nas pedrinhas podem "morar" as bactérias das intoxicações alimentares

Especialistas recomendam cuidado com o gelo vendido na praia
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Especialistas recomendam cuidado com o gelo vendido na praia
Se praia, sol e piscina combinam com diversão, festa e descanso, as intoxicações alimentares podem ser o ingrediente que azeda a mistura.

Os hábitos seguros para proteger a saúde não podem deixar de fora o gelo, presente em todas as bebidas da estação e quase sempre hospedeiro de bactérias e vírus. Uma fria para o estômago e intestino.

Segundo o engenheiro de alimentos Cláudio Lima, coordenador do Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec) do Ceará, as análises feitas no cubinho de gelo comercializadas por ambulantes em algumas cidades brasileiras mostraram que praticamente todas as amostras estavam contaminadas. A pouca higiene com o gelo também foi responsável pela reprovação das bebidas vendidas em quiosques e barracas litorâneas, em estudo feito pelo Centro Brasileiro de Tecnologia em Embalagem.

“O que pouca gente sabe é que os cubinhos de gelo podem conter Salmonella sp., Staphylococcus aureus, Shigella sp, E.coli (bactérias que resistem às baixas temperaturas e provocam intoxicações) dentre outros microrganismos”, alerta Lima. “O gelo contaminado é difícil de detectar já que é o último que se considera quando alguém contrai uma infecção ou intoxicação e também porque já derreteu quando se quer iniciar uma investigação”, completa o especialista.

A técnica para evitar que o gelo seja uma fonte de doenças é simples, afirmam os especialistas. Se fizer em casa, utilize apenas água filtrada nas formas. Já a versão industrial, vendida em barras, serve apenas para resfriar os alimentos. Jamais deve ser consumida ou colocada dentro do copo para deixar o líquido (refrigerante, suco, batidas ou caipirinhas) mais gelado. Especialmente na praia, a “coreografia” mais assistida é de pessoas utilizando o gelo industrial como parte da “alimentação”, o principal erro cometido avalia Lima. As bactérias que causam as diarreias, mal-estar, náuseas vão direto para boca.

Surtos da estação

Este verão está sendo marcado por vários surtos de diarreias, em especial no litoral paulista onde mais de dois mil casos já foram diagnosticados em apenas uma das cidades da parte sul do Estado: Guarujá. A Vigilância Epidemiológica paulista e a secretaria municipal de saúde da cidade investigam as causas do acúmulo de registros do problema e, apesar de um novo vírus ser cogitado como causador do “mal da temporada”, os técnicos não descartam que o gelo contaminado tenha sido um dos responsáveis pela disseminação da infecção.

Além de São Paulo, a gastroenterologista e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria do Carmo Friche Passos, também percebeu mais casos de intoxicações alimentares em seu estado. “Todo ano em janeiro tem muita gente com diarréia, mas neste ano o número de pessoas está muito maior”, afirma a especialista. “Prestamos muita atenção ao que comemos, mas esquecemos da bebida, que também pode influenciar na ocorrência dos casos”, diz ela ao citar o gelo como um dos vilões.

O mapeamento numérico da diarreia é difícil porque a maior parte das pessoas não procura o médico. Em geral, a orientação para quem adoecer consiste em manter a hidratação com soro caseiro (uma colher de chá de sal e duas de açúcar em um copo d’água) e repousar. Além do gelo, é preciso cuidado no preparado dos alimentos, que devem ser bem lavados, não podem ficar fora da geladeira por muito tempo e, no caso de carnes, precisam ser bem cozidos.

Saiba mais sobre os cuidados com o gelo

- Os gelos caseiros devem ser sempre feitos com água potável. As formas devem estar limpas e a limpeza deve ser repetida a cada preenchimento de água

- O gelo de fabricação industrial é contaminado quando embalado ou servido com as mãos, quando a máquina que fabrica o gelo não é higienizada corretamente ou quando o gelo é fabricado com água contaminada. Não existe, no Brasil, uma certificação do gelo, mas os donos de restaurantes, quiosques podem pedir laudos de contaminação aos fornecedores para atestar a segurança

- O gelo servido em barra ou escama não precisa ser fabricado com água filtrada e por isso só deve ser utilizado para resfriar produtos embalados, incluindo bebidas envasadas. Nunca o utilize diretamente na bebida. Antes de consumir a lata ou plástico que ficou neste gelo, lave bem o recipiente com água potável


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