Exame em SP mostra que maior parte dos estudantes não consegue ler exames e fazer diagnósticos sobre problemas femininos

Exame mostra que futuros médicos não sabem cuidar da saúde da mulher
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Exame mostra que futuros médicos não sabem cuidar da saúde da mulher
Uma avaliação aplicada pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) aos alunos do sexto e último ano das faculdades médicas do Estado mostrou que os pacientes do sexo feminino correm riscos nas mãos dos futuros doutores.

A prova – que é voluntária e avalia conhecimentos gerais dos alunos – teve índice de reprovação geral de 68%. As questões que reuniram o maior número de errantes foram as que perguntaram sobre gestação, exames ginecológicos e também condutas indicadas às mulheres com queixas cardiovasculares.

Pelos dados divulgados nesta quinta-feira, 16, 85% dos futuros doutores não souberam interpretar um eletrocardiograma de uma mulher de 48 anos que deu entrada no pronto-socorro após 12 horas sofrendo de dor no peito.

Também foi alta a quantidade de estudantes – 78% - que errou a pergunta sobre qual o procedimento adequado para uma gestante de 23 anos e com quase nove meses completos de gestação que chegou à emergência com febre, dor de cabeça e batimento cardíaco alterado. Segundo os especialistas, pelo quadro descrito o indicado seria induzir o parto, mas em média oito em dez avaliados não souberam responder.

Para o Cremesp, o resultado é alarmante já que pode ser traduzido como termômetro da qualidade dos profissionais que atendem em pronto-socorros e unidades de emergência. A formação ineficiente dos profissionais é creditada à abertura indiscriminada de cursos de medicina e à falta de hospitais universitários para a capacitação dos estudantes.

Enquanto isso, segundo os números divulgados nesta semana pelo Ministério da Saúde, o índice de mortalidade materna brasileira permanece alto – são 75 óbitos em 100 mil nascidos vivos, sendo que a meta traçada pelos especialistas é de 35 mortes no mesmo universo de pessoas. Apesar de ainda distante dos níveis considerados satisfatórios, este setor avançou no Brasil, já que em 1990 a razão era de 140 casos em 100 mil.

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