Técnica atrai pacientes de outros locais do mundo e exige cuidado extra

As clínicas fertilização in vitro despontam como um novo destino turístico do Brasil. Pelos mesmos motivos da cirurgia plástica – bons profissionais e preços mais em conta- a inseminação artificial já começa atrair estrangeiros que procuram o País na esperança de ter um filho.

O caso recente da avó que deu à luz a própria neta ilustra esta movimentação de imigrantes da saúde reprodutiva. Tatiana Cristina Andrade, 32 anos, morava na Itália com o marido e não podia engravidar. Veio ao Brasil fazer inseminação artificial e o bebê foi gerado no útero da avó materna, Eunice Martins, 59 anos. No início da semana, Alice nasceu e virou assunto nacional e internacional. Os pais agora esperam a alta da bebê e autorização médica para voltarem para casa.

Segundo a ginecologista formada pela Universidade de São Paulo e diretora da clínica Engravida, em São Paulo, Ana Lúcia Beltrame, a Itália é mesmo um dos principais países que “exporta” pacientes para os consultórios brasileiros especializados em reprodução humana.

“Ainda é um movimento pequeno de casais, mas crescente”, afirma a médica. “Neste último ano, recebemos três pacientes vindas da Itália para fazer o tratamento e uma dos Estados Unidos”, conta.

Uma possível hipótese para esta ligação entre Itália e Brasil na oferta de reprodução assistida é que, há pelo menos sete anos, estas duas nações são próximas em outro campo da maternidade. Também são principalmente da nacionalidade italiana os estrangeiros que adotam crianças brasileiras (cerca de 40%). Além disso, as regras italianas para a inseminação artificial são muito rígidas, o que incentivaria a migração.

Os custos

Para Adelino Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, o principal fator atrativo dos clientes internacionais é o custo do tratamento, mais barato quando comparado aos preços cobrados fora do País – em euro ou dólar. “Sem contar que em alguns locais, como em Angola por exemplo, não há tratamento e fertilização”, diz.

As agências especializadas em turismo médico, que atuam fazendo a ponte entre pacientes internacionais e hospitais brasileiros, já colocam a fertilização como “vitrine” dos procedimentos oferecidos.

A Sphera – especializada em turismo médico entre Espanha, Nova York e Brasil, em seu site de divulgação exalta a qualidade dos profissionais de reprodução assistida brasileiros e coloca o procedimento ao lado de outras “vedetes” da medicina nacional, como a ortopedia, a cirurgia bariátrica (redução de estômago) e a cirurgia plástica.

“A única ressalva que precisamos fazer é que muitas clínicas investem pesado em publicidade, fazem campanhas prometendo resultados não verdadeiros e acabam fomentando um turismo movido a ilusões e não realidade”, afirma Adelino Silva. “Não apenas pacientes de fora do País como também mulheres que viajam entre Estados brasileiros fazem isso por acumularem frustrações de fertilizações não bem sucedidas e, por isso, é preciso ética por parte dos profissionais para receberem as interessadas”, alerta.


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