Pesquisa mostra que taxas de gravidez diminuem após algumas tentativas de reprodução assistida

As chances de um casal engravidar usando várias formas de tratamento da reprodução assistida podem começar a cair após duas ou três tentativas usando a mesma tática, sugere um novo estudo.

A descoberta, relatada no periódico Fertilidade e Esterilidade (do inglês Fertility and Sterility), pode oferecer pistas sobre uma questão sempre em debate no campo da reprodução assistida: quantos ciclos de tratamento deve sofrer um casal, antes de prosseguir para outra – muitas vezes mais intensiva e cara – forma de tratamento?

Fertilização in vitro: sucesso reduzido a partir da segunda tentativa
Reuters
Fertilização in vitro: sucesso reduzido a partir da segunda tentativa
Hoje estão disponíveis diversas opções para tratar problemas de fertilidade. Para as mulheres com problemas de ovulação, são usados medicamentos para estimular os ovários a produzir e liberar óvulos.

Outra opção é a inseminação intrauterina, onde os espermatozóides são colocados diretamente no útero da mulher com o uso de um cateter. O tratamento, muitas vezes usado em conjunto com medicamentos para fertilidade pode ser utilizado nos casos em que o homem tem problemas baixa contagem de espermatozóides ou a causa da infertilidade do casal é desconhecida.

A fertilização in vitro, ou FIV, é um procedimento de maior tecnologia, onde os óvulos da mulher são fertilizados em laboratório e os embriões resultantes desse procedimento são implantados no útero materno alguns dias depois.

No novo estudo, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco observaram as taxas de sucesso com estes três tratamentos em 408 casais atendidos em um dos oito centros de infertilidade. Dos casais, 21% não foram submetidos a qualquer um dos três tratamentos, embora alguns tenham passado por outros procedimentos não baseados em ciclos, como a cirurgia para remover fibróides uterinos (tumores benignos que crescem em torno das paredes do útero). A taxa de gravidez deste grupo em 18 meses foi de 28%.

Em comparação, os casais que foram submetidos a um ou dois ciclos de tratamento com medicamentos para fertilidade tiveram uma taxa de gravidez de 85%. Naqueles que enfrentaram a inseminação intrauterina a taxa de sucesso foi de 71% após um ciclo de tratamento, e nos submetidos à fertilização in vitro, 59% engravidou após uma tentativa. No entanto, a vantagem de cada um dos três tratamentos diminuiu após um determinado número de tentativas.

Os seis casais que passaram por três ou mais ciclos de tratamento com drogas para fertilidade tiveram uma taxa de sucesso de 29%. Da mesma forma, a vantagem da inseminação intrauterina comparada com casais que não passaram por nenhum tratamento baseado em ciclos desapareceu após a terceira tentativa. A vantagem de fertilização in vitro também não foi mais observada após a segunda tentativa: dos 52 casais que fizeram três ou mais tentativas, apenas 35% engravidou.

“Com base nestas conclusões, e em estudos anteriores, parece claro que os tratamentos individuais têm seu sucesso diminuído ao longo do tempo”, afirmou à Reuters o pesquisador James F. Smith, professor assistente de urologia da Universidade da Califórnia.

"Remédios, inseminação intrauterina e IVF são opções de tratamento eficazes, mas seus benefícios não continuam indefinidamente. Se os casais não estão engravidando após vários ciclos de cada um destes tratamentos, é preciso mudar para uma estratégia diferente.”

Na hora de escolher um tratamento de fertilidade há uma série de fatores a considerar, incluindo intensidade e custo de cada um. A FIV exige muito mais envolvimento do casal, com injeções diárias de medicamentos, diversas visitas à clínica e muito mais desconforto do que as outras técnicas.

Os custos também são muito maiores. Nos Estados Unidos, o custo médio de um ciclo de fertilização in vitro é de 22 mil reais, segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. A cobertura de seguro varia de acordo com o plano e o estado onde vive o casal – a maioria tem leis diferentes em relação à cobertura para o tratamento da infertilidade.

Casais que desejam engravidar precisam pesar a intensidade e os custos do tratamento, as possibilidades de sucesso e o custo emocional de seguir insistindo em uma técnica menos intensiva que não está dando resultados. Segundo Smith, em geral, a taxa de sucesso é maior com FIV do que com inseminação intrauterina. Para o médico, casais que não engravidam após um par de ciclos de fertilização in vitro ainda têm opções: considerar o uso de espermatozóides ou óvulos doados ou até mesmo mudanças no protocolo de FIV.

* Por Amy Norton

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