Impacto da atividade física não é tão influente no combate à doença, diz estudo

Exercícios: estudo indica que os benefícios contra a depressão são limitados
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Exercícios: estudo indica que os benefícios contra a depressão são limitados
A prática regular de exercícios físicos sempre foi apontada como um poderoso agente de combate à tristeza. De acordo com uma revisão de diversos estudos, feita recentemente por um grupo de pesquisadores dinamarqueses, os exercícios parecem ter pouco impacto na depressão, no longo prazo.

Embora pessoas deprimidas submetidas a programas de exercícios tenham apresentado uma pequena melhora nos sintomas da doença, meses depois de acabada esta intervenção, sentiam-se tão deprimidos quanto pessoas que não haviam participado de programa algum.

O líder do estudo, Jesper Krogh, do Hospital Universitário Bispebjerg, da Dinamarca, afirmou à Reuters Health estar surpreso de constatar que a prática de exercícios tem pouco impacto na doença. “Pensávamos que os pacientes seguiriam se sentindo bem mesmo depois de terminado o programa de exercícios” disse. De um modo geral, “os efeitos do exercício na depressão são pequenos, se é que existem” escreveu Krogh em sua revisão.

A constatação não significa que a prática de atividades físicas não seja benéfica para quem sofre de depressão. Pessoas com a doença também têm maior risco de desenvolver doenças cardíacas e diabetes, condições que são comprovadamente beneficiadas pela prática regular de exercícios físicos. Aproximadamente 17% da população que vive em países ocidentais desenvolve a doença em algum ponto de sua vida.

Pesquisas anteriores já sugeririam que o exercício tem algum impacto na depressão, no curto prazo. Em 2007, um estudo feito com 202 adultos deprimidos mostrou que voluntários que participaram de uma terapia baseada em exercícios feitos em grupo sentiram as mesmas melhoras que os submetidos a antidepressivos. No mesmo ano, outro pequeno estudo concluiu que exercícios melhoravam os sintomas da doença em pessoas que não haviam conseguido bons resultados com a medicação.

A revisão feita por Krogh, por outro lado, analisou dados coletados apenas de grandes estudos – e alguns deles mediram o impacto no longo prazo acompanhando pacientes por meses depois de terminadas as intervenções.

A análise foi publicada no periódico científico Psiquiatria Clínica e está baseada em 13 estudos que incluem aproximadamente 700 pacientes, metade dos quais randomicamente escolhidos para receber sessões de atividades físicas para auxiliar na doença. Na média, os que fizeram exercícios tiveram, logo após o final das sessões, uma pequena melhora em relação aos que não se exercitaram.

Entretanto, de acordo com cinco estudos que acompanharam pacientes entre seis e 26 meses, os benefícios da atividade física não duraram uma vez terminadas as sessões.
“Se os exercícios fossem lançados sob a forma de pílulas, não acho que o FDA (agência americana que regula medicamentos e alimentos) os aprovaria como antidepressivo” disse Krogh.

Talvez, sugeriu Krogh por email, a atividade física em si tem efeitos indiretos na depressão, que duram apenas enquanto as pessoas a estão praticando.
“Quem sabe o efeito das intervenções não está relacionado ao exercício físico em si, mas a um elemento específico da estrutura diária de vida desses pacientes deprimidos” escreveu Krogh. Um dos benefícios, afirmou o pesquisador, pode ser simplesmente “encontrar-se regularmente com os médicos e com outras pessoas que entendem o que significa viver com depressão”.

* Por Alison McCook

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