Teste usa o sangue da mãe para procurar problemas genéticos no feto, como Síndrome de Down

As mulheres que enfrentam gestações de risco poderão contar com um novo aliado para detectar anomalias genéticas no feto, como a Síndrome de Down.

Um exame de sangue, simples e barato, está sendo desenvolvido por pesquisadores europeus e já demonstrou bons resultados nos primeiros testes.

Atualmente, existem apenas duas formas para diagnosticar síndromes genéticas na gestação: aminiocentese e biópsia de vilo corial. O primeiro procedimento retira líquido amniótico do útero, onde está o feto. O segundo requer uma biópsia da placenta. Ambos são invasivos, podem gerar infecções e até aborto.

Exame de sangue, simples e barato, poderá substituir os testes arriscados de hoje para detectar a Síndrome de Down
Thinkstock/Getty Images
Exame de sangue, simples e barato, poderá substituir os testes arriscados de hoje para detectar a Síndrome de Down
Todo esse risco seria anulado com o novo teste. “Já obtivemos sucesso em detectar o cromossomo Y do feto no sangue da mãe”, afirma a geneticista Suzanna Frints, em entrevista ao iG . O próximo passo é encontrar uma forma de detectar trissomia do cromossomo 21, que caracteriza a Síndrome de Down.

Frints está desenvolvendo o estudo no Centro Médico da Universidade de Maastricht, na Holanda. Ela acredita que o trabalho deve durar de dois a cinco anos. Se a técnica se provar eficaz para detectar a Síndrome de Down, ela poderá ser aperfeiçoada para diagnosticar também outras síndromes genéticas.

Além de eliminar o risco dos atuais procedimentos, o novo teste é tecnicamente simples, o que possibilita sua realização em qualquer hospital. Frints estima que o exame custe de 30 a 150 euros.

Como funciona

Para desenvolver o teste, os pesquisadores estão utilizando uma técnica conhecida como MLPA (Multiplex Ligation-dependent Probe Amplification). Ela detecta o DNA do feto a partir do sangue da mulher. O procedimento ainda precisa ser aperfeiçoado, já que a presença de DNA do feto é muito pequena no sangue materno.

Entretanto, o MLPA tem a vantagem de poder ser aplicado desde a sexta semana de gestação, enquanto os testes em uso atualmente precisam que a gestante esteja ao menos na 11ª primeira semana. O resultado do MLPA é obtido entre 24 e 62 horas.

Nos primeiros testes, realizados em 2009, a pesquisadora afirma ter obtido 80% de confiabilidade. “Precisamos refinar nossa técnica para melhorar esse resultado. Mas o que já conseguimos é promissor”, afirma.

Aborto

A promessa do novo teste levantou discussões éticas no 26º Congresso da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, que terminou esta semana, na Itália, onde a pesquisa da geneticista foi apresentada.

Frints tem sido questionada sobre a possibilidade do teste aumentar os diagnósticos de anomalias genéticas em fetos e, consequentemente, elevar a procura por abortos. “Não sei se isso aconteceria, mas acredito que o teste não aumentaria muito o número de abortos”, diz.

A geneticista comenta que tudo depende da maneira como o exame poderá ser oferecido mundo afora. “Se o teste for opcional e a mulher optar por fazê-lo, ela poderá escolher pelo aborto ou se preparar melhor para criar uma criança com a Síndrome de Down”, afirma.

“Se o teste for realizado de forma padrão em todas as grávidas, a decisão em caso de diagnóstico positivo será do indivíduo, havendo também um peso social, cultural e político na questão”, avalia.

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