Substância é usada para amenizar os efeitos da menopausa, mas há suspeita dela aumentar o risco de câncer

Um estudo norte-americano investigou a segurança dos suplementos de soja usados de forma prolongada por mulheres na menopausa. O antigo temor de que eles poderiam aumentar o risco de câncer foi questionado.

Os pesquisadores avaliaram suplementos com isoflavonas, substância com propriedades semelhantes ao estrógeno, hormônio feminino que apresenta queda significativa após a menopausa. Tal queda é responsável pelos sintomas desconfortáveis do período.

O trabalho foi conduzido por dois anos na Universidade da Califórnia, em Davis, sob responsabilidade de Francene M. Steinberg e publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”.

Um total de 403 mulheres completaram o estudo, incluindo 134 que tomaram placebo, 135 que tomam comprimidos de 80 miligramas de soja, e outras 134 que tomaram comprimidos de 120 miligramas. Tal uso representa dieta até quatro vezes mais rica em isoflavonas, em comparação com a alimentação típica da Ásia.

Uma análise prévia dos resultados não encontrou efeitos de suplementos de soja na densidade do tecido mamário, um indicador de risco de câncer de mama. Os pesquisadores analisaram ainda diversos tipos de exames e de eventos adversos para aprofundar a avaliação dos riscos de soja.

A única medida que foi significativamente maior entre as mulheres que tomam a soja, o nitrogênio da uréia sanguínea (uma medida de quão bem os rins de uma pessoa estão funcionando), ainda estava dentro da normalidade. Os exames das mulheres não revelaram diferenças na pressão arterial, nem nos resultados do papanicolaou ou na espessura da parede uterina.

Suplemento de soja ajuda a combater os sintomas da menopausa
Thinkstock/Getty Images
Suplemento de soja ajuda a combater os sintomas da menopausa
Uma mulher no grupo de 120 miligramas de soja desenvolveu câncer de mama após tomar o suplemento durante 14 meses, enquanto outra mulher no grupo de 80 miligramas de soja desenvolveu câncer uterino. No entanto, observam os pesquisadores, a taxa de câncer foi menor do que esperado na população de mulheres na menopausa como um todo.

Os resultados “apoiam a segurança de suplementação de isoflavonas de soja hipocótilo durante um período de dois anos”, concluem os pesquisadores.

Uma limitação do estudo, os autores reconhecem, é que os suplementos de soja utilizados são diferentes dos usados em muitos outros estudos. Foram usados suplementos fabricados a partir da porção hipocótilo da soja. As proporções de isoflavonas nos suplementos de estudo (54% daidzeína, 34% gliciteína e 12 % genisteína) são significativamente diferentes de suplementos disponíveis no mercado, que pode conter até 50% de genisteína, bem como as isoflavonas de outras fontes vegetais de soja.

“É importante salientar que os resultados atuais são referentes a um perfil de isoflavonas específico, e não dos mais disponíveis no mercado”, alertam os pesquisadores.

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