Pesquisa norte-americana identifica falha em receptor que prejudica estimulação do ovário

Uma recente pesquisa norte-americana está renovando a esperança de mulheres que não conseguem engravidar nem com tratamentos de fertilidade.

Pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, descobriram uma falha no receptor que se conecta ao hormônio usado para estimular a ovulação.

Tratamento de fertilidade é prejudicado por receptor defeituoso
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Tratamento de fertilidade é prejudicado por receptor defeituoso
A descoberta acaba de ser apresentada no 26º Encontro Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, que acontece em Roma, na Itália. Os cientistas verificaram que algumas mulheres com baixa fertilidade e resposta insatisfatória à estimulação hormonal ovariana tinham uma variação genética no receptor das células foliculares, que ficam próximas aos óvulos.

Esses receptores são cadeias de proteínas localizadas na superfície da célula, responsáveis pela conexão com o Hormônio Estimulante Folicular (FSH, sigla em inglês). Quando defeituosos, os receptores não apresentam uma parte da sequência de proteínas, chamada de Exon 2. Sem ela, a ligação com o hormônio não é realizada de forma eficaz, o que prejudica seu efeito na ovulação.

O Exon 2 anulado só foi detectado em mulheres com menos de 35 anos, que tiveram uma resposta fraca aos FSH e produziram menos de quatro óvulos no ciclo de estimulação folicular.

A presença do receptor defeituoso prejudica o funcionamento de receptores normais. “Nós produzimos a proteína normal e a anormal no laboratório, em células chamadas HEK293 (Human Embryonic Kidney), que é um tipo de célula comum usada em laboratórios para examinar as propriedades da proteína. Vimos que a presença do receptor anormal faz o receptor normal deixar de funcionar com eficiência”, explicou Maria Lalioti, responsável pela pesquisa, em sua apresentação no evento científico.

O próximo passo da pesquisadora é recrutar mais mulheres com dificuldade para engravidar em tratamentos de fertilidade. Assim, ela pretende verificar com que frequência a anomalia acontece.

Procedimento padrão

Atualmente, dois problemas são considerados quando uma mulher não responde ao tratamento de fertilidade. “Ela pode ter o ovário resistente, situação causada pelo excesso de peso”, explica Waldemar Naves do Amaral, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

Neste caso, o recomendado é controle alimentar e aumento da dose de FSH usada para estimular a ovulação.

Outro possível problema é a falência ovariana. “Sinal de que a mulher está entrando na menopausa”, alerta o médico. A solução, neste caso, é a doação de óvulos.

A descoberta norte-americana pode abrir espaço para outras formas de tratamento, evitando que a mulher tenha que recorrer a uma doação de óvulos. Mas isso ainda é apenas uma meta da medicina, sem prazo para ser realizada.

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