Microimplante colocado nas trompas promete contracepção eficaz sem cortes ou reações adversas

Implante: esterilização sem cirurgia
Divulgação
Implante: esterilização sem cirurgia
Com 37 anos, Fabiana Cristofari Viero não queria ter mais filhos. Mãe de duas crianças, ela sentia medo de se submeter a uma laqueadura tradicional.

Por motivos de saúde, também não podia tomar anticoncepcionais. Apesar de usar sempre preservativo, qualquer atraso menstrual era motivo para muita apreensão.

A saída encontrada foi se submeter a uma esterilização diferente: ela teve um microimplante colocado no útero. Cada trompa recebeu um dispositivo flexível, feito de titânio e níquel, que cria uma barreira física aos espermatozóides.

Os implantes são introduzidos por um equipamento endoscópico fino, através da vagina. Todo o processo é feito sem cortes, sem anestesia e sem internação. Durante os primeiros 90 dias, as mulheres que se submetem ao procedimento devem usar outro método contraceptivo também. Esse é o período de “acomodação” do dispositivo no corpo.

Fabiana: implante foi a opção que a deixou mais tranquila
Arquivo pessoal
Fabiana: implante foi a opção que a deixou mais tranquila
Passados três meses, é preciso examinar se ele está na posição correta por meio de exames. Se tudo estiver bem, a eficácia é de 99,8%, afirma o ginecologista Paulo Guimarães. A esterilização é definitiva e não pode ser revertida.

O método começou a ser utilizado no Brasil há três anos, quando foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos Estados Unidos, o Essure (nome comercial do dispositivo) foi aprovado em 1995.

Segundo Guimarães, que é diretor da Gynelaser Cursos Médicos Brasil e especialista em endoscopia ginecológica, mais de 600 mil mulheres no mundo usam o contraceptivo. A esterilização, no entanto, não é indicada para pacientes com doença inflamatória pélvica em fase aguda ou com suspeita de gravidez.

Resultados

Fabiana se diz satisfeita com o resultado. Durante o procedimento, ela sentiu uma pequena cólica. Depois, garante que não sentiu mais nada. Voltou para casa meia hora depois. “Estou tranquila e segura. Acho que optei por um bom procedimento”, afirma.

Na internet, porém, é possível encontrar reclamações em blogs de estrangeiras que têm o dispositivo e sentem dores abdominais depois dele. Como o método é novo, ainda não há estudos que apontem problemas com o dispositivo.

A grande desvantagem ainda é o preço. Segundo Paulo, o procedimento completo – honorários médicos, dispositivo e, se preciso, anestesia – custa entre R$ 10 mil e R$ 12 mil.

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