Com a inauguração do sexto banco público do país, número de transplantes com células-tronco deve crescer

Ampliar e diversificar o número de doações de sangue do cordão umbilical é a melhor forma de aumentar as chances de quem precisa de um transplante de medula óssea.

Com esse princípio como meta, foi inaugurado nesta quinta-feira, dia 11, o sexto banco público brasileiro para o armazenamento de células-tronco do cordão umbilical de recém-nascidos.

Localizado no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista, o banco tem capacidade inicial de armazenar em nitrogênio líquido 3,7 mil unidades de 25ml contendo células-tronco provenientes do sangue do cordão umbilical de bebês nascidos no hospital Amparo Maternal de São Paulo, cujas mães concordem em fazer a doação.

Sabe-se hoje que as células-tronco existem em diversas partes do corpo e têm um enorme potencial terapêutico no tratamento de doenças. Para algumas delas o tratamento já é uma realidade há muitos anos – o transplante de medula óssea, realizado há décadas para tratar leucemia e outras doenças do sangue, nada mais é do que a infusão de células-tronco da medula óssea de um doador compatível e saudável no organismo de uma pessoa com a doença. Com a descoberta de que esse tipo de célula existe também no sangue do cordão umbilical, essa fonte tornou-se outra opção de coleta, uma alternativa além do doador vivo.

Cordão: sangue rico em células-tronco
Getty Images/Photodisc
Cordão: sangue rico em células-tronco
A parceria com a maior maternidade de São Paulo em número de partos – onde o atendimento às mães é feito pelo Sistema Único de Saúde – deve garantir, por seu grande volume de partos, uma ampla e diversificada quantidade de doações, o que aumenta as chances de encontrar um doador (ou uma doação) compatível para quem precisa fazer o transplante de células-tronco para tratar enfermidades imunes ou doenças do sangue como leucemias e linfomas.

As mães candidatas à doação serão abordadas na maternidade, pelo serviço de enfermagem que atua no pré-natal, com o auxílio de materiais informativos e de esclarecimento das principais dúvidas que envolvem a doação, que é voluntária. O processo de captação do sangue que contém as células-tronco é simples, ocorre logo após o parto e não envolve risco algum para o bebê ou para a mãe. A hematologista Poliana Patah, coordenadora médica do banco, explica que nem todas as doações captadas no Amparo Maternal poderão ser utilizadas.

“Esperamos conseguir entre 60% e 65% de aproveitamento das doações coletadas. Para preenchermos a capacidade do tanque será preciso conseguir aproximadamente 7 mil doações” calcula a hematologista Yana Novis, coordenadora do Serviço de Onco-Hematologia do Sírio – no qual está inserido o banco.

Todos os bancos públicos de sangue do cordão umbilical fazem parte do BrasilCord, uma rede nacional coordenada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e subordinada ao Ministério da Saúde que tem como função unificar os dados de todos doadores e doações de células-tronco feitas aos bancos públicos do País.

O primeiro transplante de células-tronco retiradas do cordão umbilical foi feito na França, há 20 anos. No Brasil, o primeiro procedimento desse tipo foi realizado em 1993 e desde então o emprego de células-tronco do cordão umbilical vem aumentando gradativamente. Apesar de o País já somar 400 transplantes desse tipo, a maior parte das unidades empregadas nos transplantes veio de bancos públicos do exterior. Essa realidade é, acreditam os médicos, reflexo da desinformação da população a respeito do tema e de como funciona a doação.

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