Pequenos machucados, infecções e endometriose estão entre as causas que diminuem a libido feminina

Dores pélvicas podem atrapalhar o desejo sexual da mulher
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Dores pélvicas podem atrapalhar o desejo sexual da mulher
A clássica desculpa feminina da “dor de cabeça” para rejeitar a relação sexual tem respaldo científico.

Mesmo que a sensibilidade dolorida não esteja concentrada na região do cérebro , os médicos sabem que o ponto de partida para o declínio do desejo sexual da mulher é algum tipo de dor , sendo as mais comuns na região pélvica.

“No caso das mulheres que já passaram da menopausa , existe uma alteração hormonal que, por si só, pode resultar na diminuição da libido. Mas não é só isso”, explica Elsa Gay, coordenadora do Ambulatório de Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“Após os 45 anos, a mucosa da vagina fica mais fina e sensível. Com isso, é maior o risco de surgirem pequenos machucados provocados ou pela roupa ou na hora da higiene íntima. Estas feridinhas são doloridas e podem atrapalhar a atividade sexual, pois comprometem o prazer”, explica.

Para as mais jovens, os pequenos machucados também estão na lista de causas que atrapalham o desempenho sexual, mas outros tipos de dores pélvicas são listadas pela Sociedade Internacional de Medicina Sexual como impactantes no desejo, entre elas, a endometriose , doença feminina que pode comprometer até mesmo a fertilidade.

Veja abaixo os principais problemas ginecológicos que acarretam dor e prejudicam a relação sexual, publicados no Jornal Americano de Medicina Sexual :

Endometriose

A endometriose é a causa mais comum de dor pélvica crônica em mulheres. Os sintomas incluem dor recorrentes nos ciclos menstruais (as temíveis cólicas), que podem se tornar mais graves com o tempo. Esta sensibilidade pode comprometer o prazer. Os atuais tratamentos médicos para a endometriose incluem contraceptivos orais e, quando existem lesões, cirurgia.

Veja o infográfico : A endometriose por dentro do corpo

Cistite

A cistite é uma doença crônica caracterizada por dor na bexiga e a vontade constante de urinar . É uma causa potencial de dor sexual feminina “frequentemente negligenciada pelos clínicos”, diz o artigo publicado no Jornal de Medicina Sexual. Outro sintoma da cistite é o ardor e segundo estimativas da Associação Americana 1/3 das mulheres que tem a doença não conseguem ter relações sexuais por causa da dor. Além de medicamentos sempre indicados pelos médicos, mudanças de hábitos de vida, como atividades físicas e dieta equilibrada também ajudam a combater o problema.

Alterações dermatológicas (pequenos machucados)

As doenças dermatológicas mais comuns que afetam a vulva da mulher incluem dermatite alérgica ou irritante, fissuras e feridas. Todas provocam dor e comprometem a atividade sexual da mulher. Segundo o presidente da Comissão de Doenças Infecciosas da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Paulo César Giraldo, além de sabonetes e dos movimentos realizados durante a higiene íntima, os absorventes e as vestimentas muito apertadas também podem machucar a vagina.

“Peças íntimas que não são bem enxaguadas e ficam com resíduos de sabão também provocam irritações e dor.”

Vaginismo

É uma hipertrofia da região pélvica da mulher, causada por múltiplos fatores, físicos e psicológicos (mulheres violentadas sexualmente podem apresentar este problema). É caracterizada por dificuldade de relaxar os músculos da região da vagina e intensa dor pélvica, o que impede a relação sexual. O tratamento deve ser contemplado por terapia psicológica e fisioterapia, além de medicação. Segundo a Associação Americana de Medicina Sexual, testes estão em andamento para avaliar se a toxina botulínica pode ajudar a minimizar os efeitos do vaginismo.

Leia mais: Fisioterapia para tratar dor sexual

Vulvodínia

É caracterizada por intensa dor na região da vagina, muito sensível ao toque e que tem múltiplas origens. Além de características genéticas, os especialistas afirmam que há influência hormonal no desenvolvimento do sintoma. Apenas o médico pode diagnosticar a vulvodínia e o tratamento pode ser medicamentoso, com terapia e, em alguns casos, até mesmo com cirurgia.

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