Homens ainda são maioria, mas crescimento dos casos na população feminina chama a atenção de médicos

Número de acidentes em que elas estão pilotando dobrou
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Número de acidentes em que elas estão pilotando dobrou
Em um período de seis meses, das 255 pessoas que sofreram acidente de moto, 10% eram mulheres – o dobro do registrado em 2004.

Apesar da impressão de que elas são mais cuidadosas no trânsito, os acidentes sofridos pelas mulheres são tão graves quanto os do sexo masculino. “São lesões com comprometimento sério dos ossos, da medula. São acidentes realmente graves”, afirma Marcelo Rosa, ortopedista coordenador do levantamento.

O levantamento foi realizado pelo Instituto de Ortopedia do Hospital das Cínicas de São Paulo (IOT), ligado à Secretaria de Estado da Saúde.

A pesquisa traçou um perfil dos motociclistas acidentados atendidos no local. Do total, 84 ficaram internados em média 18 dias; 54% deles tiveram fratura exposta.

De acordo com o ortopedista Marcelo Rosa, coordenador do estudo, a internação custou três milhões de reais aos cofres da instituição, o equivalente a R$ 35.714 por pessoa.

Perfil diferente

O estudo mostra uma alteração no perfil do usuário de moto acidentado. Antes, a maioria era de motoboys, que utilizavam a moto para trabalhar. Agora, cerca de 67% dos pacientes afirmaram usar o veículo apenas como meio de transporte. "Hoje houve um incremento de 10% ou 15% de pessoas que usam a moto como meio de vida, o que é de se esperar com o do trânsito do jeito que está. As pessoas levam muito tempo para percorrer determinadas distâncias", pondera Rosa.

A colisão moto-carro foi a principal causa dos acidentes. Setenta por cento dos entrevistados afirmaram que conhecem as leis de trânsito e que não haviam sido imprudentes.

“Além de gerar um alto custo para o Estado, muitos destes pacientes terão consequências para o resto da vida”, destaca Marcelo Rosa. “É necessária uma ampla mobilização, envolvendo a sociedade civil, autoridades e, inclusive, as fabricantes de motocicletas”, completa.

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