Olívia Monteiro encontrou a fé depois do câncer de mama

Se a Olívia Monteiro, hoje 55 anos, contasse a sua história de vida para a Olívia Monteiro do passado, aos 20 de idade, provavelmente, receberia em retribuição às palavras um semblante de dúvida, descrença e até desdém.

Olivia: do comunismo à espiritualidade
Edu Cesar/Fotoarena
Olivia: do comunismo à espiritualidade
Quando jovem, a militante política baseou a sua formação intelectual nos livros de Karl Marx. Só não entrou para o partido comunista porque não era, assim, toda ateia. Mas passava longe de ser considerada uma religiosa.

Quase três décadas depois, na Bíblia, ela encontrou o caminho para a sua formação espiritual. O câncer de mama, diagnosticado em 2001, poderia ser classificado como o divisor de águas. Mas Olívia, que mora em Cruzeiro, interior de São Paulo, considera que as vidas antes e depois da doença são complementares.

O antes e o depois

Assim como Olívia, a fé e a medicina já foram divorciadas. E assim como Olívia, hoje a fé e a medicina são complementares.

A ciência está debruçada em desvendar os segredos da saúde dos fiéis e hoje, apesar das mais de 2.700 publicações produzidas, não há uma resposta clara sobre qual será o desfecho para as pessoas de diferentes convicções espirituais e classes sociais que iniciam o caminho até a fé com um diagnóstico.

Ainda que os cientistas tenham dúvidas, na Avenida Tiradentes, zona norte da capital paulista, todos os dias 200 fiéis vão tentar na prática alcançar os benefícios prometidos da espiritualidade na saúde.

Lá é o endereço do Mosteiro da Luz, onde são distribuídas as pílulas de Frei Galvão, recém canonizado santo. A crença é que a novena com as pílulas consegue auxiliar pessoas com os mais diferentes problemas.

Na última quina-feira, os interessados nas pílulas traziam dos prontuários médicos de todo o Brasil histórias de diabete, gravidez de risco, câncer, pressão alta, nefrite, artrite. Depressão, gastrite, enxaqueca, dor.

A arquiteta Olivia estava no local não para pedir mas para agradecer a recuperação do câncer de mama que, no passado já havia vitimado sua mãe, tias, primas e irmã.

Olivia poderia ser budista, evangélica, espírita ou do candomblé. Mas “a antiga militante descrente” hoje complementada pela “arquiteta espiritualizada”, agradece tanto a Marx quanto a Deus.

“Com o câncer eu aprendi que a gente não nasce com fé. Não é um dom. Assim como eu precisei trilhar meu caminho como arquiteta e a militância política foi fundamental para a carreira, o mesmo empenho tive de ter para escrever minha relação com a espiritualidade”, diz.

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