Reconhecimento dos sintomas na mulher é falho. Deficiência do atendimento é um problema mundial, revelam especialistas

Espera: mulheres ainda sofrem com o diagnóstico tardio
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Espera: mulheres ainda sofrem com o diagnóstico tardio
Fator de risco involuntário e imutável, o envelhecimento da população é o primeiro fator a elevar as chances de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Estima-se que no Brasil, segundo o banco de dados do Ministério da Saúde, a cada cinco minutos um brasileiro morra por conta do problema.

Quando não mata, na grande maioria dos casos, incapacita. Segundo pesquisa feita no Hospital São Paulo, 80% dos pacientes que sofreram um AVC não voltam ao trabalho. As sequelas são graves e inviabilizam a qualidade de vida não apenas dos pacientes.

“Se não provoca o óbito do paciente, as limitações matam a vida dos familiares. A maioria dos parentes prefere que o ente querido morra a ter uma vida vegetativa após o incidente”, relata Alexandre Pieri, neurologista vascular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A gravidade da doença, entretanto, além de pouco conhecida, é negligenciada no atendimento de saúde, seja ele público ou privado – dentro e fora do País. A falha passa a ser ainda mais agravante no público feminino, garantem os especialistas.

“É um comportamento similar ao ocorrido com o infarto . O reconhecimento do sintoma da doença já não é imediato, independente do sexo. No público feminino, é um problema ainda maior. Os profissionais não as vêem como alvo do problema e retardam o controle, o tratamento.”

Elas vivem mais

A cada década vivida, o risco para o AVC passa a ser dobrado. A incidência em homens ainda é prevalente, mas após os 80 anos o comportamento do risco inverte. As mulheres assumem o posto de público alvo. Além da alta expectativa de vida desse grupo, a deficiência hormonal de tal etapa influencia no comportamento do AVC.

A genética dobra a chances de Acidade Vascular Cerebral, mas sozinha, não é capaz de internar 170 mil pacientes por hora no Brasil. A prevenção é premissa no controle e requer a manutenção das tradicionais recomendações dos cardiologistas: atividade física, alimentação saudável e controle do colesterol e da diabetes.

Clichês em todos os consultórios médicos, a obesidade, o álcool e o tabaco – este último, responsável por elevar em 600% o risco – o trio bombástico para o coração , também são gatilhos para o AVC.

“Não há recorte de idade para manter uma vida regrada e distante dos fatores de risco opcionais. A doença é mais incidente no público idoso, mas não significa que os jovens estejam blindados”, endossa Dalmo Moreira, eletrofisiologista do Instituto Dante Pazzanese.

Sem ritmo

A fibrilação atrial é o tipo mais comum de arritmia cardíaca, e responsável por quintuplicar as chances de AVC. Associada aos demais comportamentos de risco, a matemática é ainda mais certeira.

“É acumulativo: 50% dos pacientes que tiveram um AVC em consequência da fibrilação morrem em um ano. A cada seis derrames, um foi provocado por arritimia.”

O especialista ainda alerta que tal descompasso do coração pode ser silencioso e assintomático. Muitas vezes, a pessoa sente um desconforto, a pulsação irregular, mas quando procura atendimento médico, não consegue comprovar o diagnóstico.

“Checar a pulsação diariamente é uma medida de controle e prevenção, mas é por meio do eletrocardiograma , ou o uso do holter que o profissional conseguirá uma espécie de raio x da frequencia do coração.”

Ficar atento a sintomas como fadiga, cansaço, palpitação, dor no peito, desmaios súbitos e até mesmo o ronco – a apneia do sono é um dos gatilhos para a fibrilação –, ou excesso de atividade física (nível competitivo) também podem minimizar os graves impactos da doença.

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