Estudo mostra que elas apresentam fatores de risco para doenças do coração mais cedo do que os meninos

Diabetes do tipo 1: meninas apresentariam fatores de risco para doenças cardícas mais cedo, sugere estudo
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Diabetes do tipo 1: meninas apresentariam fatores de risco para doenças cardícas mais cedo, sugere estudo
Nova pesquisa revela que crianças e adolescentes do sexo feminino que sofrem do diabetes tipo 1 mostram sinais de fatores de risco de doenças cardiovasculares precocemente.

As descobertas não são uma prova definitiva de que o diabetes tipo 1, que geralmente tem início na infância, cause diretamente os fatores de risco – e a ocorrência de infartos e AVC s continua rara em jovens. Mas, elas destacam as diferenças entre os gêneros em se tratando do risco de doenças cardíacas para os diabéticos, afirma o Dr. R. Paul Wadwa, professor de pediatria da Universidade do Colorado e um dos autores do estudo.

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“Observamos diferenças mensuráveis na adolescência, muito antes do que esperávamos. É necessário garantir que estamos realizando os testes de fatores de risco cardiovasculares apropriadamente e, no caso das meninas, isso parece ser ainda mais importante”, ele diz.

Segundo Wadwa, os diabéticos adultos correm maiores riscos de doenças cardiovasculares do que adultos que não sofrem da doença. As mulheres diabéticas, em especial, aparentemente perdem alguns dos efeitos protetores que o gênero oferece contra os problemas cardíacos.

Ele explica: “As mulheres estão protegidas das doenças cardiovasculares no estágio pré-menstrual por estarem expostas a hormônios sexuais, principalmente o estrógeno. Tal proteção pode ser aprimorada ou perdida em indivíduos diabéticos”, diz o Dr. Joel Zonszein, professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein, de Nova York.

Ainda não está claro, porém, em que momento da vida as diabéticas começam a perder tais vantagens. No novo estudo, a equipe liderada por Wadwa analisou especificamente o diabetes tipo 1, também conhecido como diabetes juvenil – por ser frequentemente diagnosticado na infância.

A equipe de pesquisa conduziu testes com 402 crianças e adolescentes, entre os 12 e os 19 anos de idade, da região de Denver. Alguns dos participantes sofriam de diabetes tipo 1.

Dentre os diabéticos, as mulheres apresentaram mais altos níveis de glicemia e colesterol, além de estarem também mais acima do peso do que os homens. Altos níveis de glicemia e colesterol e excesso de peso são fatores que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares.

“Apesar da ocorrência de infartos e AVCs não ser comum na adolescência, sabemos que o que observamos na adolescência é a fundação do que vem pela frente. Diferenças mensuráveis destes fatores em idade tão tenra colocam estes jovens em riscos mais altos ao longo da vida”, explica Wadwa.
Segundo o especialista, ainda não se sabe se fatores como a obesidade poderiam ou não explicar os fatores de risco.

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Wadwa diz que, para os pediatras, o estudo mostra a importância de acompanhar de perto os adolescentes diabéticos, encorajando-os a seguir uma dieta saudável e realizar exercícios físicos, prescrevendo também medicação em caso de necessidade.

Para Zonzszein, porém, a utilidade do estudo é limitada, pois o mesmo não oferece uma nova mensagem. Por outro lado, ele acredita que a nova pesquisa ofereça conselhos válidos sobre a importância de uma alimentação saudável, exercícios apropriados e controle da pressão arterial e níveis de colesterol.

O estudo deverá ser apresentado em San Diego na segunda-feira, durante o encontro da Associação Americana do Diabetes. Especialistas ressaltam que pesquisas apresentadas em encontros médicos são consideradas preliminares, pois não passaram pela avaliação rigorosa exigida antes da publicação em periódicos científicos.

* Por Randy Dotinga

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