Pesquisa comprova que níveis baixos de leptina provocam a cessação da menstruação em mulheres com pouca gordura no corpo

Mulheres com pouca gordura no corpo deixam de menstruar por conta dos baixos níveis de leptina
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Mulheres com pouca gordura no corpo deixam de menstruar por conta dos baixos níveis de leptina
A deficiência de leptina contribui para a ausência de menstruação em mulheres com índices extremamente baixos de gordura corporal, mas uma forma sintética do hormônio pode normalizar tanto os ciclos menstruais quanto a fertilidade, é o que mostra um novo estudo americano.

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Índices extremamente baixos de gordura corporal podem ocorrer em mulheres frequentemente ativas, como corredoras e dançarinas, e também naquelas que sofrem de distúrbios alimentares . Tais mulheres estão propensas a desenvolver amenorreia hipotalâmica, termo médico que define a ausência de menstruação, que pode levar à infertilidade e à osteoporose .

Pesquisas anteriores já haviam revelado que mulheres que sofrem deste problema apresentam níveis cronicamente baixos de leptina. O novo estudo, publicado no site da Proceedings of the National Academy of Sciences, é o primeiro a oferecer provas definitivas de que a carência de leptina contribui para a amenorreia.

Participaram do estudo randomizado duplo-cego um total de 20 mulheres, entre os 18 e os 35 anos de idade, todas elas com amenorréia hipotalâmica. Muitas das participantes eram corredoras.

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Durante um período de 36 semanas, as mulheres receberam injeções diárias de metreleptina, uma forma sintética de leptina, ou placebo. O tipo de injeção recebido era desconhecido tanto para as participantes quanto para os pesquisadores.

No primeiro mês de tratamento, as mulheres sob uso da metroleptina apresentaram um aumento significativo nos índices de leptina.

“Sete em cada dez mulheres começaram a menstruar, enquanto que quatro em cada sete apresentaram ovulação”, disse o Christos Mantzoros, diretor da unidade de nutrição humana do Beth Israel Deaconess Medical Center e professor de medicina da Escola de Medicina da Harvard, que conduziu o estudo.

“Quando comparadas ao grupo placebo, as mulheres que receberam o tratamento à base de metreleptina também apresentaram melhoras no perfil hormonal e níveis mais altos de indicadores de novas formações ósseas”, ele complementou.

A leptina sintética usada no estudo, parcialmente financiado pelo Instituto Nacional das Doenças Renais e Digestivas dos Estados Unidos, foi fornecida pela empresa Amylin Pharmaceuticals.

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