Maria Madalena fez da cirurgia bariátrica o caminho para a virada de mesa

Era dia de fazer compras para casa. Maria Madalena Conceição Jurity já não estava com tanta disposição para sair. Os 120 quilos mal distribuídos em pouco mais de 1,63 metros pesavam não só fisicamente. “Parecia que carregava a tristeza junto comigo”.

Maria Madalena ficou dez anos sem sair de casa por causa da depressão ligada ao diabetes
Divulgação
Maria Madalena ficou dez anos sem sair de casa por causa da depressão ligada ao diabetes
Na época, ela tinha pouco mais de 40 anos. E o que estava ruim ficou pior. Ao entrar no ônibus para ir ao mercado, ela ficou presa na roleta. Como se desgraça pouca fosse bobagem, foi só entalar que o meio de transporte público teve uma falha mecânica e todos os passageiros precisaram descer do coletivo. Maria Madalena não ia nem para frente, nem para trás. As gargalhadas maldosas atrapalharam ainda mais as coisas e ninguém foi ajudá-la a sair dali.

“Foi uma humilhação tão grande, tão grande que, por mim, eu poderia ter morrido ali.”

Maria Madalena foi para casa e prometeu nunca mais sair de dentro dela. Foram 10 anos trancada no quarto, na sala e na cozinha. Não foi mais à feira, ao mercado, às compras. Não visitou mais amigos, parentes e nem foi ao médico. O marido era responsável por pagar as contas e trazer comida para dentro de casa.

“Na sacola, era chocolate, doce e só porcaria. Comia tudo e via a vida passar.”

Um dia o coração falhou, um calor subiu pela espinha e, de ambulância, Maria Madalena foi obrigada a voltar a ver a rua. Em uma maca, chegou ao hospital com a pressão arterial acima de 20, pesando 130 quilos e com o diagnóstico de uma doença que ela nem imaginava que tinha. “O diabetes estava tão alto e descontrolado que os médicos falaram que eu poderia morrer ali mesmo.”

A doença facilitou ainda a infecção das chamadas doenças oportunistas. Malária e problemas pulmonares somaram a lista de mazelas daquela mulher – as pesquisas já mostram relação entre diabetes e infecções. Existem outras pesquisas que associam a doença metabólica a mais casos de depressão. Maria Madalena não morreu e foi o diabetes que a convidou para uma nova vida.

“Fui obrigada a mudar a minha alimentação, fazer caminhas e controlar a doença. Até comecei a perder peso, mas nada controlava o diabetes. Até que os médicos do Centro de Diabetes da Bahia (CEDEBA) me falaram que a cirurgia bariátrica poderia ser minha aliada. Entrei na fila para reduzir o estômago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) já que não tinha dinheiro para pagar uma operação como esta. Foram dois anos de espera e há um ano eu me transformei em uma nova mulher.”

Doze meses passaram desde que Maria Madalena entrou no centro cirúrgico. Já são 45 quilos eliminados e ela ainda quer perder mais para chegar ao objetivo. “Mas a nova silhueta já foi suficiente para vencer o medo, dar o sinal e subir no ônibus. Quando passei pela roleta, me dei conta que uma nova vida bem mais feliz me esperava do outro lado.” Maria Madalena, hoje aos 58 anos, tem muito mais disposição do que tinha aos 20 de idade e não para mais dentro de casa.

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