Exagerar nas bebidas pode trazer consequências ao coração

Perigo: mesmo nos dias seguintes ao porre, o cérebro tem reações mais lentas e maior dificuldade de concentração
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Perigo: mesmo nos dias seguintes ao porre, o cérebro tem reações mais lentas e maior dificuldade de concentração
Formaturas, festa na empresa, amigo secreto com os amigos, com a família, Natal, Ano Novo. O último mês do ano é repleto de festas, todas regadas a muito champanhe, vinho, cerveja e uma enorme variedade de outras bebidas.

Tantas confraternizações preocupam médicos e especialistas. “A forte ingestão de bebidas alcoólicas é mais tolerada pela sociedade nessa época”, avalia Arthur Guerra, professor de Psiquiatria da Universidade de São Paulo e presidente do Centro de Informação sobre Saúde e Álcool (Cisa).

Pouca gente sabe, mas tomar um porre, mesmo apenas na noite de ano novo, pode causar intoxicação. O problema está na ingestão de muitas doses em um período curto de tempo, de horas, por exemplo. “O corpo fica intoxicado, há queda na pressão, aumento do número de batimentos cardíacos, entre outros efeitos colaterais. Há uma sobrecarga no coração, podendo levar ao desenvolvimento de problemas cardíacos como a arritmia”, explica o supervisor de cardiologia do Hospital do Coração, Ricardo Pavanello. Quem já tem algum tipo de problema cardíaco, é hipertenso ou diabético deve passar longe do álcool. Mesmo durante as comemorações de final de ano.

Além dos graves efeitos físicos, a bebida também pode trazer problemas psicológicos. “Muita gente bebe e quer dirigir. Tem quem fique violento. Quando fica embriagada, a pessoa perde o discernimento”, alerta o psiquiatra.

Mais uma dose...

O álcool continua a afetar o cérebro por um longo tempo, mesmo após o último copo. Uma dose de uísque, por exemplo, leva aproximadamente uma hora para ser metabolizada pelo organismo, mas isso não significa que a pessoa pode beber de hora em hora. “Os efeitos do álcool no corpo, principalmente no coração, são cumulativos”, diz o cardiologista.

No dia seguinte, além da ressaca, o corpo ainda sente os efeitos da bebedeira. De acordo com um levantamento realizado pelo Centro de Estudos do Álcool e do Vício da Universidade de Brown, dos Estados Unidos, o cérebro fica mais devagar, a pessoa tem dificuldade para se concentrar e tem reações mais lentas. A pesquisa ouviu 95 homens e mulheres entre 21 e 33 anos.

Vai um café?

E para quem bebeu demais, nem adianta achar que uma xícara de café vai cortar o efeito da embriaguez. Um estudo realizado pela Universidade de Temple, nos Estados Unidos, derrubou a crença popular e revelou que o café apenas faz com que a pessoa não perceba os efeitos do álcool no organismo.

A indicação médica para quem não quer passar mal é não ultrapassar o limite estabelecido pela Organização Mundial de Saúde, de 30 gramas de álcool, intercalar a bebida alcoólica com água, suco, chá ou refrigerante e, claro, não beber de estômago vazio.

Confira quantos gramas de álcool contém cada bebida:

1 copo de chope – 10 gramas

1 taça de vinho – 10 gramas

1 lata de ceverja – 17 gramas

1 dose de destilado (como uísque ou vodca) – 25 gramas

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