O esporte deu essa certeza à secretária Sônia Ponzini. Ela corre, pedala e cruzou os EUA de bicicleta após vencer um câncer

Sônia Ponzini na Maratona de Paris, em 2009: 42km abaixo de quatro horas
Arquivo pessoal
Sônia Ponzini na Maratona de Paris, em 2009: 42km abaixo de quatro horas
Em 2003 a secretária executiva Sônia Ponzini, hoje com 46 anos, começou a caminhar e depois a correr para perder uns quilinhos.

“Era o que toda mulher quer: emagrecer dois ou três quilos, nada demais. Mas como a empresa que eu trabalho incentiva a prática esportiva, passei a levar o exercício a sério”, conta.

Para reforçar a política de benefícios da atividade física a empresa também sorteava entre seus funcionários algumas viagens para participar de corridas no Exterior. E no ano seguinte Sônia foi contemplada com o convite para participar da Meia Maratona na Disney.

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“No início não sabia o que era correr um quilômetro. Achava que era impossível cobrir grandes distâncias, me achava frágil. E de repente me descobri forte física e mentalmente".

Um ano depois que deu os primeiros passos ela percebeu que gostava verdadeiramente de correr.

"Foi durante um treino. Lembro que estava sozinha, estava chovendo, o chão molhado... De repente o sol saiu e eu senti uma incrível sensação de bem-estar. Naquela hora pensei: vou fazer isso o resto da minha vida”.

Fisgada pela corrida, depois ela foi aumentando a quilometragem e participou da Maratona da Disney. Com uma rotina de trabalho puxada, iniciando às 7h30 da manhã, seus treinos eram por volta das 5h30 da manhã. E na hora do almoço fazia musculação.

”Tempo você arruma se quiser. Pensa que é gostoso acordar às quatro e meia da manhã para ir treinar? Mas o bem-estar que a gente sente é tão grande que vale a pena”.

Em 2006, assistindo a entrevista do atleta Marilson Gomes dos Santos na sede de sua empresa, logo após ele ter vencido a Maratona de Nova York, Sônia também começou a sonhar  com uma corrida na Big Apple.

“O Marilson começou a descrever a prova, as muitas subidas, o frio congelante e as dificuldades do percurso. Falou sobre como tinha sido seu treinamento e alimentação. Falou ainda da participação das pessoas durante todo o percurso, das palavras de incentivo, da animação, da alegria ao entrar no Central Park e ver uma multidão incentivando os corredores e, acima de tudo, falou da sensação de cruzar a linha de chegada. Nessa hora, lembrei da emoção que senti ao completar minha primeira maratona. Ali, naquele momento, não tive dúvida: iria correr em Nova York”.

Assim fez. E dois anos depois repetiu a dose em Paris, obtendo seu melhor tempo nos 42 km: 3h59m.

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Em 2010, Sônia cruzou os Estados Unidos de bike: vitória após o câncer
Arquivo pessoal
Em 2010, Sônia cruzou os Estados Unidos de bike: vitória após o câncer
A paixão pelo ciclismo também entrou tarde na vida de Sônia. Para se ter ideia, até os 35 anos ela nem sabia pedalar. Só que secretamente alimentava o sonho de fazer uma prova grandiosa sobre duas rodas.

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“Eu já tinha ouvido falar da Race Across America (RAAM) – uma prova de bicicleta que atravessa os Estados Unidos da Costa Oeste a Costa Leste, com 5500 km. Mas nunca pensei que pudesse efetivamente participar. Até que recebi um convite de um amigo do trabalho. A primeira reação foi rir e achar que não era para mim. Depois senti medo ao pensar na dificuldade. Até que finalmente aceitei o desafio”.

A secretária entrou para uma equipe de ciclismo para treinar com afinco. Pouco tempo depois, no entanto, em exames de rotina, descobriu um câncer de mama . “Fui diagnosticada com a doença em outubro e operada em novembro. A prova seria em julho do ano seguinte. Mas achei que não poderia mais treinar, afinal ainda me submeteria ao tratamento de radioterapia . Considerei que seria o fim do sonho para mim e comuniquei à equipe que eu estava fora”.

Ela lembra como foi difícil receber a notícia do câncer. “Passei pelo processo que todo mundo passa diante de uma situação dessas. Primeiro vem a negação: achei que o exame estivesse errado. Depois surtei, chorei, pensei que ia morrer. Mas decidi ser prática. Fui ao médico perguntei o que eu tinha de fazer e como seriam os próximos meses. E pensei que enquanto estivesse bem iria fazer o que gostava”.

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O esporte ajudou a dar a volta por cima. “O corpo aguenta mais, não me senti debilitada durante a recuperação. E também pensava que eu já havia corrido maratonas, que eu era capaz de superar muita coisa. Lembrava da paixão pelo ciclismo e da história do Lance Armstrong (vencedor sete vezes do Tour de France que superou um agressivo câncer)”.

Apesar do tratamento, Sônia foi liberada pelo médico e pode continuar treinando. Ele, inclusive, acendeu sua esperança sobre prova de ciclismo. “Ele disse que se até lá tudo corresse bem, eu poderia participar”.

Em Nova York, realização de um sonho
Arquivo pessoal
Em Nova York, realização de um sonho
Ela foi lá e fez. Venceu o câncer e seu troféu foi ter completado a RAAM pedalando 5500 km repletos de aventuras, com chuva, sol, frio e calor, rajadas de ventos, subidas e descidas.

“Foi superação física, sem deixar de lado o prazer de apreciar, saborear, curtir o passeio…”

Olhando para trás, Sônia diz ter muito orgulho de si mesma. “Consigo tudo o que eu quiser”.

Que ninguém duvide das palavras da secretária. Para 2012, sua meta é aprender a nadar. Detalhe: ela tem pavor de piscina.

“Comecei a correr para emagrecer. Aprendi a pedalar bem tarde e jamais me imaginei cruzando os Estados Unidos de bicicleta. Vejo que a gente pode aprender muita coisa a qualquer momento da vida.”

Supermulher? Nada disso. “Não sou melhor do que ninguém, nem minha vida é mais fácil ou mais difícil do que a de qualquer outra. Sou apenas esforçada”.

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