A patologia tem incidência aumentada em mulheres que malham com muita intensidade os músculos da região glútea

Sobrecarregar os glúteos com exercícios localizados ou corrida pode levar à síndrome do piriforme
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Sobrecarregar os glúteos com exercícios localizados ou corrida pode levar à síndrome do piriforme
Recente pesquisa de uma rede de tratamentos corporais, realizada com 3.500 mulheres em todas as regiões do Brasil, sobre as preocupações estéticas da brasileira, mostrou que a maioria não está segura com o próprio corpo.

Uma das áreas que mais incomoda é a região glútea (26%) – segundo a pesquisa, elas também querem melhorar o aspecto da barriga (69%) e dos seios (46%). Não é de se espantar, portanto, o empenho nas academias em busca do corpo sarado – especialmente para definição de abdômen e firmeza do bumbum.

Só que pessoas que exercitam excessivamente os glúteos – com musculação, exercícios localizados, corrida ou bike – podem desenvolver a “síndrome do bumbum sarado” ou, como é cientificamente conhecida, a síndrome do piriforme. Estudos apontam predominância maior de casos femininos, na proporção de seis mulheres para cada homem.

Músculo piriforme

Para entender a patologia é preciso conhecer a anatomia do piriforme, um músculo em forma de pera que faz parte de um conjunto de músculos localizados profundamente na região glútea.

“A função dele é fazer a rotação externa da coxa, além de auxiliar a abdução (abertura da coxa). Sua extensão vai da bacia até a cabeça do fêmur”, explica o neurologista Luiz Alcides Manreza, do Hospital São Luiz. Por baixo desse músculo passa o nervo ciático.

“A irritação ou a inflamação desse nervo provoca a dor na região do quadril. As causas podem ser traumas locais (cair sentado), hábitos posturais não saudáveis e sobrecarga de exercícios na região”, diz Gilbert Bang, especialista em reabilitação ortopédica e esportiva do Hospital Israelita Albert Einstein.

Exercícios intensos ou executados de forma incorreta podem levar à dor na região do bumbum, o que exige tratamento
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Exercícios intensos ou executados de forma incorreta podem levar à dor na região do bumbum, o que exige tratamento
O médico adverte que, além da musculação executada de maneira errada ou com muito peso, a corrida (especialmente em subidas) e o ciclismo podem levar à síndrome. O implante de silicone na região glútea seria outra forma de comprimir o músculo piriforme e causar a irritação do ciático.

Tratamento

A patologia tem difícil diagnóstico – talvez por isso não seja considerada tão comum. “Realizamos o exame físico, investigamos e chegamos a um diagnóstico por exclusão de outros quadros”, revela Luiz Manreza. Em relação a exames, a ressonância magnética pode auxiliar a detectar o problema.

Na fase aguda, para aliviar os sintomas da “síndrome do bumbum sarado”, os especialistas costumam prescrever relaxante muscular, analgésico e antiinflamatório.

Repouso ou diminuição da carga de exercícios também é necessário. Acupuntura e fisioterapia podem complementar o tratamento.

“Depois, é essencial que se faça um trabalho de reequilíbrio muscular e alongamento. Em casos crônicos, podemos usar até a toxina botulínica para bloquear o músculo e impedir a compressão do ciático”, explica Gilbert Bang.

Dicas

- Nos exercícios com quatro apoios, procure contrair o abdômen para não forçar a coluna ao elevar a perna

- Não exagere na carga de exercícios para os glúteos

- Passar o dia sentada e malhar muito depois aumenta as chances de se desenvolver a síndrome. Levante-se e alongue com frequência

- Atenção em caso de queda sentada, especialmente se deixar um hematoma na região glútea

- Caso a dor persista por mais de três semanas, procure um especialista em quadril

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