Em Ayacucho, apenas 6% dos partos ocorriam em clínicas; as mulheres precisaram ser ouvidas antes de aceitar ajuda médica

Mulheres peruanas das áreas rurais evitavam as
clínicas - e com razão
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Mulheres peruanas das áreas rurais evitavam as clínicas - e com razão
Áreas rurais de Ayacucho, no Peru, têm um dos mais altos índices de mortalidade entre gestantes e crianças do país. Como em muitos países pobres, a maioria dos óbitos é um resultado de partos realizados em casa, onde pessoas que tentam ajudar não têm noção de como realizar um parto seguro ou ainda como prevenir ou tratar hemorragias, infecções ou outras complicações fatais. Em 1999, no distrito de Santilla, que faz parte da região de Ayacucho, apenas 6% dos nascimentos ocorreram em clínicas.

Profissionais da saúde decidiram mudar a situação. Eles começaram perguntando às pessoas da comunidade sobre maneiras tradicionais de dar à luz, e sobre o que estava sendo feito de errado nas clínicas. E ouviram uma série de queixas.

Segundo os moradores, os funcionários de clínicas não falavam o idioma local, o Quechua. Eles eram ásperos com as pacientes e barravam maridos e parentes que quisessem entrar na sala de parto. Eles forçavam as mulheres a usar camisolas do hospital ao invés de suas próprias roupas, e forçavam as mães a dar à luz deitadas sobre uma mesa, em vez de agachadas. Eles também jogavam fora a placenta, ao invés de entregá-la à família da paciente para enterrá-la em um lugar quente.

Ao trabalhar com habitantes da região, integrantes da ONG Health Unlimited mudaram os serviços de parto em um clínica do distrito de Santillana. Eles garantiram que o Quechua fosse falado, deixaram parentes entrar na sala de parto e prestar ajuda – dessa forma as mulheres poderiam dar à luz agachadas – além de outras mudanças baseadas nas tradições locais.

Em 2007, 83% dos partos já estavam sendo realizados em clínicas. Em um relatório da Organização Mundial de Saúde deste mês, os autores afirmam que o projeto em Ayacucho mostra que mulheres indígenas com pouca educação formal estão dispostas a ter ajudar profissional ao darem à luz, desde que sejam tratadas com respeito nas clínicas.

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