Tratamento, já realizado na Europa, chega ao Brasil e promete eliminar os traumas do procedimento tradicional

Nova técnica evita o sofrimento do pós-operatório tradicional
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Nova técnica evita o sofrimento do pós-operatório tradicional
A tecnologia caminha a favor da medicina, mas nem sempre essa parceria resulta no alívio da dor. Há mais de 80 anos, os pacientes diagnosticados com as temerosas hemorróidas tinham apenas duas difíceis opções: conviver com a doença, aliviando o desconforto com pomadas e medicamentos paliativos, ou encarar a cirurgia tradicional.

O drama do pós-operatório, até hoje, afasta os pacientes dos consultórios médicos. Segundo especialistas, desmaiar de dor ao evacuar, após a cirurgia, é um sintoma não somente típico, como bastante comum. “A técnica tradicional foi consagrada pelo tempo. O sofrimento dos pacientes é altíssimo, desumano, mas os resultados são muito bons, com baixíssima chance de reaparição da doença”, revela Sidney Klajner, proctologista e cirurgião do Hospital Albert Einstein.

Recentemente incorporado pelo sistema público de saúde da Inglaterra, a Dearterialização Hemorroidária Transanal guiada por Doppler, ou THD, chega ao Brasil e oferece uma terceira opção: eliminar o problema sem trauma, sem dor.

Segundo Klajener, responsável por trazer a técnica ao País, o procedimento já foi realizado em 16 pacientes, sendo seis mulheres, 10 homens, com 100% de sucesso. Um deles, conta o especialista, retomou os treinos na academia dois dias após a cirurgia.

A novidade custa aproximadamente dois mil reais e é realizada, por enquanto, apenas no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O interesse em oferecer a técnica, porém, tem sido crescente, aponta o médico. “Tenho capacitado profissionais em outros Estados e alguns planos de saúde já estão interessados em entender como o equipamento funciona.”

A cirurgia de hemorróidas passa a ser necessária, alerta o médico, em casos de sangramentos intensos, principalmente em mulheres. Junto com a menstruação, a perda de sangue provoca anemia.

Como funciona

A técnica reduz o fluxo sanguíneo nas hemorróidas e corrige o prolapso (parte saliente da doença). As veias são costuradas, reposicionando a mucosa ao estado natural. No método tradicional, elas são removidas. “A técnica é menos agressiva, e atua em uma área sem terminações nervosas, por isso, não existe dor.”

O aparelho é descartável, e tem um formato similar ao de uma caneta. Na extremidade, possui agulha e linha. Com o paciente anestesiado, o THD é inserido no canal retal. Através de um ultrassom, ele identifica o fluxo sanguíneo. Em seguida, a agulha costura a veia, reduzindo esse fluxo que alimenta a hemorróida. Sem sangue, ela murcha, e diminui de tamanho.

A expectativa do médico é que o advento da cirurgia sem dor no País possa eliminar o estigma e o constrangimento dos pacientes. “A grande maioria não faz exame por vergonha e medo.”

Klajner explica que a hemorróida não é capaz de desencadear outra doença, mas o receio do diagnóstico pode camuflar outros problemas. “Muitos pacientes podem estar com câncer anal, mas por achar que têm hemorróidas, não procuram um especialista.”

Os mesmos fatores impedem um mapeamento nacional do número de afetados com a doença. A estimativa, segundo o médico, é baseada em dados da população Norte Americana. Nos EUA, são mais de 15 milhões de casos por ano, e acredita-se que a metade da população do País desenvolverá a doença em alguma fase da vida.

Embora não existam valores oficiais, o proctologista afirma que não há diferença na prevalência da doença entre homens e mulheres. Os homens, entretanto, são os que mais procuram atendimento médico.

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