Ele foi o primeiro médico a usar a toxina botulínica para tratar problemas oculares

Foi na década de 70, enquanto procurava tratamentos alternativos para o estrabismo, que o oftalmologista norte-americano Allan Scott descobriu que a injeção da toxina botulínica do tipo A relaxava os músculos oculares.

Depois de 15 anos de testes e pesquisas, em 1989, o tratamento foi autorizado pelo Food and Drugs Administration (FDA), órgão que regulamenta o setor de remédios nos Estados Unidos. No Brasil, o tratamento de estrabismo com a toxina foi aprovado pela ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 1992. O iG fez cinco perguntas ao médico criador da toxina.

iG: Quando o senhor descobriu esse uso para a toxina botulínica, imaginava que a substância teria o sucesso que tem hoje?
Allan Scott: Não. O principal objetivo (na época em que comecei essas pesquisas) era o tratamento do estrabismo. É sabido que, em alguns casos de estrabismo, a força de um dos músculos do olho é maior do que a do outro. A minha ideia foi enfraquecer o músculo. A toxina botulínica inibe a acetilcolina, um neurotransmissor envolvido nas atividades da maioria dos músculos do corpo, inclusive no olho. Por esta razão, ela pode ser usada também para outras doenças em diversos campos da medicina.

iG: O senhor acha que as pessoas estão exagerando no uso da toxina butolínica?
Allan Scott: As indicações clínicas são bem definidas. Como o tratamento é simples e eficiente, os médicos usam a medicação frequentemente. Por esta razão, é muito importante usá-lo com base no protocolo clínico já estabelecido na literatura científica. Evitar o uso exagerado é muito importante.

iG: O senhor acompanha todas as pesquisas com a substância, mesmo fora de seu campo de atuação?
Allan Scott: Muitas pesquisas estão sendo feitas ao redor do mundo, e tenho revisado alguns manuscritos e estudos. Estou muito feliz que a droga possa ser utilizada por muitos colegas em diversas especialidades da medicina e não somente na oftalmologia.

iG: No futuro, o senhor acha que a toxina botulinica será mais empregada para tratamentos médicos ou estéticos?
Allan Scott: É impossível saber, mas a toxina pode ser utilizada nas duas situações.

iG: Quando o senhor pensa sobre o futuro da toxina botulínica, como o imagina?
Allan Scott: Imagino um futuro promissor. Muitos pacientes, em diferentes campos da medicina, têm hoje benefícios incríveis com esse tratamento.

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