Apenas durante a madrugada parto normal é mais numeroso

Estudo da Fundação Seade (responsável pela análise de dados do Estado de São Paulo) mostra que os partos cesáreas atingiram o recorde máximo. Os dados foram divulgados nesta semana.

Em 2008, ano do estudo, 56,7% de todos os 602 mil bebês que nasceram em São Paulo foram por cesariana, dez pontos porcentuais a mais do que o registro em 1998 (46,3%), quando os partos normais ainda eram maioria.

UTI neonatal: risco de complicação em parto cesárea é maior e os bebês precisam ficar mais tempo internados
Katia Deutner
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A situação paulista não é exclusiva e o próprio Ministério da Saúde já alertou que as cesáreas são uma “epidemia nacional”. O último levantamento de Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostrou que 80% dos nascimentos em clínicas privadas e hospitais particulares não são por vias naturais. A estatística fez o Conselho Federal de Medicina (CFM) criar uma comissão para incentivar os médicos, inclusive com prêmios financeiros, a fazer mais partos normais.

O alerta vermelho sobre os riscos das cesarianas foi ascendido mais uma vez este ano após um novo estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo a entidade, o parto normal é três vezes mais seguro, com menos casos de morte súbita, infecções e alergias das crianças.

Cirurgias desnecessárias

A cesárea, por vezes, é a única alternativa para garantir a segurança da mãe e do bebê, indicada em situações extremas, como pressão alta, diabetes e também da posição fetal. Mas não faltam indícios de que as cirurgias nas salas de parto nem sempre tem como prioridade a saúde materno infantil.

Um dos sinais do “exagero” está na própria pesquisa da Fundação Seade. Os partos normais só superam o maior número de cesáreas durante a madrugada (entre 0 e 5h59). A proporção de partos naturais também é um pouco maior (mas não superior) aos sábados e domingos.

O horário sugere que os médicos marcam os partos levando mais em conta o conforto próprio do que a segurança das mães. Vale ressaltar que muitas mulheres escolhem e exigem o dia de nascimento de suas crianças levando em conta datas de aniversário, por exemplo.

Fecundidade

Pelo estudo sobre a maternidade paulista, 44% vivenciam a maternidade pela primeira vez e 32%, pela segunda. Apenas 10% delas passam por esta experiência mais de quatro vezes.
A fecundidade das paulistas diminuiu pela metade entre 1980 e 2008, quando passou de 3,4 para 1,7 filho por mulher. Esta redução ocorreu em todo o Estado, de modo que as diferenças regionais não são muito grandes. Mesmo assim, nota-se que no noroeste registram-se as menores taxas de fecundidade do Estado.

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