Tratamento é indicado para tratar vários tipos de câncer, como o de mama

Cem mil pessoas com diagnóstico de câncer estão na fila de espera para receber radioterapia no País, informa a Sociedade Brasileira de Radioterapia.

Quanto maior a demora para receber o tratamento, menor a eficácia da técnica no combate a doença que, no ranking de causas de morte do Brasil, está atrás apenas dos problemas cardiovasculares.

Radioterapia: déficit de 166 aparelhos no País
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Radioterapia: déficit de 166 aparelhos no País
O câncer de mama, inimigo íntimo da população feminina, reúne as principais desvantagens do déficit deste serviço oncológico. A utilização da radioterapia neste tipo de tumor, além de muito recomendada, segundo os especialistas, pode evitar procedimentos invasivos como a retirada total da mama doente, em especial quando o diagnóstico foi precoce.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) reconhece a deficiência da radioterapia no País e calcula que hoje faltam 166 equipamentos para dar conta de todos os pacientes que precisam do tratamento. Existem 209 e o ideal seriam 365 aparelhos. Junto ao Ministério da Saúde, o Inca pleiteia uma melhor oferta desta técnica fundamental para combater a doença.

Só para este ano, são projetados 489 mil novos casos de câncer e seis em cada dez destes pacientes vão acabar na fila da radioterapia. As quase 290 mil pessoas precisam disputar os 177 serviços existentes, sendo que entram nesta conta unidades públicas e privadas. Segundo normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cada serviço de radio só pode abrigar 600 novos pacientes, daí o rombo na cobertura nacional.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Carlos Manuel Mendonça de Araujo, o déficit no tratamento radioterápico se arrasta desde 2001 e o problema é crescente ano a ano.

Em 2008, segundo informou o Ministério da Saúde na época, eram 54 mil pessoas esperando para receber o tratamento, o que sugere um aumento de 100%. Este ano, entretanto, o Ministério informou não ter os dados da fila nacional, já que as informações são descentralizadas e só poderiam ser repassadas pelas secretarias de estado da saúde.

“Não sabemos e não conseguimos contar quantos pacientes morrem sem conseguir receber radioterapia”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia. “Existem alguns Estados do Brasil, como Sergipe, que só têm um aparelho. No Amapá e em Rondônia, não há nenhum. O caos é generalizado. Em São Paulo, o estado melhor servido em termos de tecnologias da medicina, são cerca de 15 mil pacientes na fila da radioterapia”, completa Araújo.

Giovanni Guido Cerri, professor titular da USP e diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) acrescenta o impacto do déficit também é psicológico no paciente. “A pessoa não tem acesso a um tratamento para uma doença grave. Quando a espera dura muitos meses precisa ser administrada, para que os casos mais graves sejam priorizados”, diz Cerri.

Contas no vermelho

Os aparelhos de radioterapia são todos importados e, por ora, não existe tecnologia nacional para suprir a produção de equipamentos de ponta da medicina. “A taxa de importação de cada aparelho é de 47%. Segundo estudo da Associação Médica Brasileira cada sessão de quimioterapia custa R$ 70 reais, porém o Ministério da Saúde paga pelos serviços apenas R$ 17”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia. “Por mais que estamos falando de saúde, qual empresário terá interesse em investir em radioterapia, para ficar no vermelho?”, questiona.

Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Saúde afirmou que tem planos de rever o ressarcimento dos poucos serviços que oferecem tratamento radioterápico. Por email, informou que “há reajuste previsto para este ano, mas ainda não está definido o porcentual.”

Enquanto as contas da radioterapia não fecham, os pacientes se aglomeram na fila de espera para o serviço. Existe um plano traçado de ampliação, que depende da solicitação de cada Estado, chamado de Projeto Expande, desenvolvida pelo Inca.

Expansão da radioterapia

Segundo informou o Instituto Nacional do Câncer, os hospitais entram em contato com o Inca, solicitam a ampliação e recebem visitas de técnicos para definir as adequações. Passam por esse processo atualmente, 11 novos serviços da radioterapia, sendo quatro em Minas Gerais, três no Rio Grande do Sul, dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e um na Bahia.

São Paulo inaugurou semana passada um centro com nove aparelhos de radioterapia que em junho terá capacidade para fazer 90 mil sessões de radioterapia por ano.

“Isso significa que vamos absorver em média 8 mil pacientes. Ainda é pouco para resolver a situação de todo Estado de São Paulo. O impacto positivo é grande, mas a deficiência por radioterapia também é grande”, avalia Giovanni Cerri, diretor-geral do Icesp.

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