Maior exposição à água e alimentos produzidos ou manipulados sem higiene pode favorecer a transmissão da doença

Folhas verdes: lavagem cuidadosa evita transmissão da doença
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Folhas verdes: lavagem cuidadosa evita transmissão da doença
Na época de férias, a mudança de rotina e ambiente pode propiciar, além do desejado e merecido descanso, uma série de doenças cujo foco de transmissão está na água. Os mergulhos refrescantes em águas impróprias para o banho ou a viagem para aquela praia paradisíaca sem luz ou água encanada podem transformar o ideal de férias em uma grande dor de cabeça.

Entre as doenças de transmissão hídrica, isto é, pela água, uma das mais comuns na época de calor é a hepatite A – infecção causada por um vírus. Em locais onde não há sistema de esgoto ou onde o saneamento básico ainda é precário, a hepatite A é mais comum em crianças. Mas a doença pode afetar qualquer pessoa em qualquer idade – especialmente em praias onde o saneamento básico não comporta a invasão de turistas sazonais.

“É uma doença transmitida pela água ou pela ingestão de alimentos contaminados com fezes de pessoas doentes, ou mesmo pelo contato com objetos contaminados que são
levados à boca” explica a epidemiologista Maria Bernadete de Paula Eduardo, diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Uma vez em contato com o vírus, a pessoa contaminada começa a sentir os primeiros sintomas em duas semanas, mas há casos em que eles aparecem até 30 dias após o contágio. Em geral a infecção pelo vírus da hepatite A se resume a sintomas como febre, mal-estar, perda de apetite, náuseas e desconforto abdominal. Menos frequentemente, a doença deixa a pele com uma cor amarela intensa (icterícia) e pode causar coceira generalizada, uma ocorrência que os médicos chamam de colestase. A versão mais preocupante da hepatite A é a forma fulminante, que pode levar à morte – felizmente trata-se de uma ocorrência rara.

Não existe tratamento específico para eliminar o vírus da hepatite A. É o organismo quem precisa fazer isso com seus próprios esforços. Em geral, os médicos recomendam repouso, hidratação, abstinência de álcool e remédios que possam sobrecarregar o fígado e isolamento temporário do doente, para evitar a transmissão do vírus a outras pessoas. Já existe uma vacina para prevenir o vírus, mas a duração da proteção que ela confere ainda é alvo de questionamentos na comunidade científica. Por conta disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não recomendou a imunização em massa e a vacina não está no calendário vacinal do Programa Nacional de Imunização.

Sem tratamento específico, a melhor forma de não ter de se preocupar com a doença é saber como evitá-la. Para isso, é importante neutralizar os focos de contágio evitando contato com águas sujas e/ou poluídas, lavando bem as mãos com água e sabão após o uso do banheiro e antes de manipular alimentos, escolhendo alimentos cultivados, manuseados e preparados com higiene e isolando o doente das atividades rotineiras para evitar a transmissão do vírus a mais pessoas. Leia abaixo como se proteger.

Medidas gerais

  • Cozinhe bem alimentos como carne, aves, peixes e frutos do mar (o calor mata vírus, bactérias e diversos parasitas que causam as doenças)
  • Coma frutas sem casca e só descasque-as depois de lavá-las e desinfetá-las
  • Beba somente água fervida ou tratada
  • Ferva o leite por 2 minutos antes de bebê-lo
  • Evite contato manual com alimentos prontos para consumo
  • Proteja os alimentos contra moscas e guarde-os logo na geladeira (evita a proliferação de microorganismos causadores de doenças)
  • Lave bem as mãos: antes de preparar os alimentos (e cada vez que for manipular um tipo diferente de alimento), toda vez que trocar fraldas de crianças ou lidar com fezes, secreções ou lixo, antes de alimentar as crianças, antes de sentar-se à mesa para comer e após ter usado o banheiro

Verduras de folha e frutas

Coloque as verduras desfolhadas ou as frutas em água limpa e tratada por cerca de 15 minutos para amolecer a sujeira. Use sempre água da rede pública ou água tratada com cloro. Lave cuidadosamente cada folha ou cada fruta em água corrente limpa e tratada. Mergulhe as verduras ou frutas em solução de hipoclorito de sódio a 2,5 % (são 15 gotas para cada litro de água). Deixe de molho por 30 minutos. Escorra a água (não precisa enxaguar) e sirva como de costume.

Fonte: Centro de Vigilância Epidemiológica da SES/SP ( www.cve.saude.sp.gov.br )

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