Câncer de Hebe é um dos mais raros
Incidência é de cinco casos em 100 mil pessoas, 10 vezes menos do que o câncer de mama
O câncer diagnosticado na apresentadora de televisão Hebe Camargo, 80 anos, é um dos mais raros entre os brasileiros. Segundo estimativas divulgadas, o tumor maligno no peritônio (membrana que envolve o abdômen) tem incidência de cinco casos em 100 mil pessoas.
Pelas informações divulgadas pelo Hospital Albert Einstein, onde Hebe começa as sessões de quimioterapia hoje, o tumor que acometeu a apresentadora teve início na própria membrana, é típico de pacientes femininos e tem chance de cura de 60%. Para o médico e diretor de cirurgia gastrodigestiva do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), Marcon Censoni, o fato de ter nascido primeiro no peritônio é o que torna o tipo de câncer que acometeu Hebe um caso bem raro. “No geral, a presença de câncer no peritônio indica que o tumor começou em outro local, normalmente ovário, intestino ou estômago, e se espalhou chegando até esta membrana que reveste os órgãos”, explica Censoni.
No caso da apresentadora do SBT, afirmou em entrevista coletiva o grupo de médicos responsável pelo tratamento, ela é enquadrada na exceção. O problema de Hebe começou na cavidade e, justamente por isso, faltam informações clínicas sobre quais são os fatores de risco associados a esse tipo de doença.
“O mais comum seria o câncer de ovário. E mesmo este tipo não aparece na lista dos 10 que mais acometem a população brasileira”, completou o especialista e membro do conselho científico da Associação Brasileira do Câncer (ABCâncer), Ricardo Caponero. Sendo assim, afirma o especialista, não há parâmetros sobre quais fatores de risco possam ter contribuído para o aparecimento da doença. “Não há um estudo epidemiológico porque para fazer pesquisa clínica seria muito difícil reunir 100 pacientes com o problema e mapear os fatores de risco”.
Poucos estudos
A raridade do câncer de Hebe também é medida pelo banco de dados da Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp). Consulta pelo iG feita nas tabelas disponíveis na internet mostra que a manifestação maligna do câncer de peritônio em mulheres apareceu só três vezes desde 2005 – informações em www.fosp.saude.sp.gov.br. Este banco é abastecido de registros hospitalares de 47 instituições paulistas que tratam de pacientes oncológicos. Hebe, por questões meramente preventivas, retirou em cirurgia realizada ontem o último ovário que tinha. A assessoria de imprensa do Einstein informou que ela, no passado, já havia retirado o órgão do aparelho reprodutivo mas não por nenhum tumor existente.
Por ser uma manifestação de câncer raríssima, os médicos não conseguem listar com precisão como preveni-la ou quais são os exames preventivos para este tipo de tumor. Entretanto, para quase todos os outros tipos de câncer – líderes em mortalidade – , a ciência já produziu sólidas evidências sobre medidas que garantem a detecção precoce da doença. Veja abaixo algumas delas.
Prevenção do câncer
- Ter hábitos saudáveis, livres de fumo, álcool, sedentarismo e alimentação inadequada
- Evitar a automedicação, que pode mascarar importantes sintomas que indicam câncer. Em caso de queixa persistente de febres, dores ou manchas procurar o médico
- Nunca esquecer de passar o protetor solar sempre que se expor ao sol
- No caso das mulheres, depois dos 50 anos, ter atenção às mamas e fazer a mamografia uma vez por ano
- Homens depois dos 45 anos devem visitar o urologista anualmente e discutir sobre a necessidade de exames da próstata
- Mulheres sexualmente ativas devem fazer papanicolaou uma vez ao ano e usar a camisinha em todas as relações sexuais