Ela já retirou o útero pelo mesmo motivo e agora se prepara para mais uma cirurgia

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Sally Maguire não quer passar por quimioterapia ou falar à família sobre câncer
BBC
Sally Maguire não quer passar por quimioterapia ou falar à família sobre câncer
Sally Maguire, de Cambridgeshire, sudeste da Inglaterra, já teve vários casos de câncer na família. Sua mãe morreu devido a um caso de câncer nos ovários , assim como sua bisavó e avó.

Aos 28 anos, Sally passou por uma histerectomia para evitar o câncer nos ovários. Agora, ela pretende fazer a mastectomia dupla e também a reconstrução das mamas, mesmo não tendo sido diagnosticada com a doença.

Pelo fato de não ter parente vivo, ela não tem como fazer exames genéticos para saber se tem o gene que pode determinar se ela tem ou não propensão de desenvolver câncer de mama .

"Existem tantas mulheres por aí que tem câncer e elas têm que passar por isso, não têm escolha. Me sinto tão egoísta, pois tenho esta escolha, posso fazer (a cirurgia) e talvez tirar a chance de outra pessoa que esteja doente. E eu não estou doente", disse Sally à BBC.

"Mas eu não quero ter que falar para meus filhos que tenho câncer. Não quero passar por quimioterapia. Quero tirar isto do meu caminho."

Inspiração materna

Sally Maguire afirma que vai fazer a mastectomia inspirada no caso de sua mãe. "Não quero que minha família tenha que conviver comigo tendo câncer, e o que isto faz com você, como você se sente, sem poder fazer nada", disse ela.

"Tudo o que minha mãe queria é que eu tivesse o melhor e ela odiava a possibilidade de ter me passado este gene e que eu pudesse ter que passar pelo que ela passou", explicou Sally.

Apesar de Sally ter ido ao hospital para fazer a operação, o procedimento foi cancelado na última hora, pois ela estava com uma infecção. Mas, ela quer fazer a cirurgia o mais rápido possível.

No Brasil o procedimento é considerado pouco comum e a tabela do SUS não prevê a realização da mastectomia preventiva. No entanto, depois de uma análise caso a caso, o sistema publico de saúde estadual ou municipal poderá arcar com o custo.

Genes raros

No serviço de exames genéticos da região de Cambridgeshire, no Hospital Adam's Brook, os que tem um histórico de câncer na família podem fazer o exame para detectar genes anormais.

Estes genes são raros, diferentes entre as famílias, mas nem todos vão herdá-los. Um familiar sobrevivente pode ajudar o laboratório a encontrar o gene relacionado ao câncer.

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"É melhor para nós podermos identificar o problema em uma pessoa que tem o problema, então podemos mostrar que é a causa da doença naquela família", afirmou Rebecca Treacy, do Serviço de Exames Genéticos da região de East Anglia.

A análise demora dois dias e é considerada muito difícil de ser feita. Todas as amostras podem ser estocadas, para exames no futuro, quando a medicina genética já estiver mais avançada.

No entanto, decidir fazer este exame pode ser difícil. "Você não está pensado apenas em como este exame tem impacto na sua saúde, mas você também pensa em suas filhas, ou suas irmãs, ou, em alguns casos, seus pais", disse Sue Kenwrick, consultora do serviço de exames genéticos.

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