Realização de mamografias aumentou – mas não muito – nos últimos anos. Mulheres mais escolarizadas lideram estatísticas

Mamografia: maior adesão entre as brasileiras
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Mamografia: maior adesão entre as brasileiras
Fazer exames para prevenir o câncer de mama está se tornando rotina entre as brasileiras lentamente. O número de mulheres adultas – com idade entre 50 e 69 anos – que realizou pelo menos uma mamografia nos últimos dois anos subiu de 71,2% para 73,3% (em cinco anos), segundo o Ministério da Saúde.

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Os dados fazem parte da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada anualmente pelo Ministério da Saúde. Pesquisadores ouviram, por meio telefene, 54.144 pessoas entre janeiro e dezembro do ano passado, todas maiores de 18 anos e moradoras das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal.

Os resultados mostram que as mulheres mais escolarizadas são as mais preocupadas com a prevenção do câncer . Entre as brasileiras que estudaram mais de 12 anos, 87,9% garantiram aos pesquisadores terem feito mamografia nos últimos dois anos.

O número é bem inferior quando o público analisado tem menos instrução: 68,5% das brasileiras com menos de oito anos de estudo fizeram o exame. Para o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, os programas incentivo à realização dos exames na rede pública de saúde precisam ser ampliados.

De acordo com Barbosa, as capitais em que os índices de realização de mamografias são mais baixos sofrem com a falta de equipamentos para atender a população. Em Rio Branco, capital do Acre, apenas metade das mulheres adultas realizaram mamografia nos últimos dois anos. Índice que sobe para 86% em Vitória, no Espírito Santo.

“Houve uma mudança significativa no aumento da cobertura desse exame. Mas a diferença de realização por escolaridade mostra que temos de fazer um grande esforço ainda para reduzir essas distâncias”, afirma.

Colo do útero

Os exames de prevenção do câncer de colo do útero , o Papanicolaou , já são realizados por 80,5% das mulheres com mais de 25 anos. Novamente, a escolaridade pesa a favor de quem estudou mais. Apenas uma em cada 10 mulheres que estudaram mais de 12 anos não fez o exame nos últimos três anos.

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Entre as brasileiras que estudaram até, no máximo, oito anos, o percentual cai para 76,9%. São Paulo e Curitiba foram as capitais que mais realizaram o exame preventivo nas mulheres: 90% das paulistas e curitibanas passaram por ele nos últimos três anos. Em Maceió a quantidade de mulheres que se submeteram ao exame cai para 68%.

Prevenção

Além do diagnóstico precoce da doença, a estratégia do governo federal para combater o câncer – e outras doenças crônicas, como diabetes , hipertensão e doenças cardiovasculares – é incentivar mudanças de hábitos na população.

Diminuir a obesidade é um deles. Os dados do Vigitel divulgados nesta terça mostram que as mulheres estão tão obesas quanto os homens (16% contra 15,6%), apesar de percentualmente serem menos numerosas em sobrepeso. Pouco mais da metade dos homens está acima do peso, enquanto 44,7% das mulheres encontram-se nessa situação.

O índice de obesidade chega a 20% das mulheres com menos de oito anos de estudo, o maior entre homens e mulheres, independentemente da escolaridade.

De modo geral, as brasileiras se alimentam melhor – comem mais hortaliças e frutas, carnes menos gordurosas, mais leite desnatado e tomam menos refrigerantes – mas ainda não praticam atividade física como os homens. Apenas 22,4% das mulheres conta praticar atividade física por lazer.

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Desde que o Vigitel foi criado, em 2006, a redução de fumantes entre as mulheres não acompanhou a queda do tabagismo entre os homens. Elas se mantêm em estáveis 12%, enquanto os homens caíram dois pontos percentuais (de 20% para 18,1%). Também não houve queda no número de mulheres que fumam mais de 20 cigarros por dia: 3,3%.

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