Pesquisa do IBGE mostrou que 42,4% parem sem passar por ao menos 6 consultas com o médico

Qualquer médico receita “pré-natal de qualidade” como forma mais eficiente de prevenir a mortalidade materna e infantil.

A diretriz nacional é que a mulher passe por seis consultas durante a gestação, meta que ainda não foi alcançada em todo Brasil, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 17, pelo IBGE.

O estudo chamado de Síntese de Indicadores sociais mostra que 57,1% das crianças nascem após passarem por 7 ou mais consultas de pré-natal. A mesma estatística, portanto, revela que quatro em dez bebês vêm ao mundo sem que o ciclo de atendimento médico seja completo de maneira ideal. O Estado com pior índice é o Maranhão (24% de pré-natal satisfatório) e o melhor é o Paraná (77%) – veja abaixo.

Pesquisas anteriores – uma delas feita pelo programa Mãe Paulistana da Prefeitura de São Paulo – já evidenciaram que neste grupo de pré-natal deficitário estão principalmente as mães adolescentes e as mães mais velhas (com mais de 40 anos).

A resistência destas duas faixas etárias, justificada principalmente pela descoberta tardia da gestação, é agravada por outro dado mapeado pelo estudo do IBGE: as malformações congênitas, doenças mais comuns em filhos de meninas e mulheres mais maduras, são as causas de morte que mais ganharam espaço no ranking de mortalidade infantil na última década.

Em 1999, as malformações respondiam por 10,9% das causas de mortalidade de crianças antes de completar um ano. Em 2008, estas doenças avançaram oito pontos porcentuais chegando a 18,3%. Ao mesmo tempo, as doenças infectocontagiosas percorreram fenômeno inverso. Eram 9,1% do ranking há 11 anos e agora somam 5,3%.

Pré-natal: número ideal de consultas ainda não é realidade para muitas

Porcentagem de crianças nascidas após acesso da mãe a consultas de pré-natal

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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


Mais vacinas e mais prematuros

A explicação para o “novo desenho” do ranking da mortalidade infantil é: com a melhora da oferta de saneamento básico, vacinação e alimentação, as crianças estão morrendo menos. É natural portanto que os problemas mais complexos e não evitáveis após o nascimento – como as malformações – ganhem mais espaço na lista nacional.

O aumento de bebês prematuros fez com que as malformações ganhassem espçao no ranking de morte infantil. Na foto, UTI em Mogi voltada às crianças com este tipo de problem
Mauricio Contreras/ Fotoarena
O aumento de bebês prematuros fez com que as malformações ganhassem espçao no ranking de morte infantil. Na foto, UTI em Mogi voltada às crianças com este tipo de problem
O aumento de nascimento de bebês prematuros – eles eram 5% em 1997 e subiram para 9% em 2008 – também é outro fator por trás da expansão das malformações em crianças, já que eles não passam tempo suficiente na barriga das mães para terem todo o organismo formado.

Outro dado importante: um pré-natal de qualidade não se resume a um número adequado de consultas. Segundo o Ministério da Saúde, aumentou em 125% a quantidade deste tipo de consultas entre 2003 e 2009, passando de 8,6 milhões para 19,4 milhões. Ainda assim, uma análise feita por técnicos do próprio Ministério constatou que também cresceu os índices de crianças que morrem por causa de doenças da mãe, como diabetes, hipertensão e eclampsia, todas tratáveis e controladas em um pré-natal de qualidade.

Índice de fecundidade

A mesma pesquisa divulgada pelo IBGE afirmou que é estável a quantidade de filhos por mulher. A última análise mostra uma média de 1,94. Embora este número seja superior ao de 2008 (1,89), a análise dos técnicos é que a oscilação está dentro da margem de erro.

Em 1980, o índice girava em torno de 4 filhos por mulher. No Rio de Janeiro, era de 2,94 naquele ano, caindo para 1,63 em 2009. Já no Amapá, caiu de 6,97 para 2,87 no mesmo período, a segunda maior taxa de 2009, só perdendo para o Acre (2,96). 

Acesso deficitário ao pré-natal

Porcentagem de crianças nascidas após acesso da mãe a até 3 consultas de pré-natal em todas as regiões do País

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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)