Estudo mostra que as mulheres do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo são as que mais adoecem da enfermidade

Gaúchas, paulistas e fluminenses são as campeãs de câncer de mama, revela mapeamento feito pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Os dados comparativos mostram Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo como líderes – nesta ordem – das projeções para 2010 de novos casos de uma das doenças mais ameaçadoras do universo feminino.

O coordenador de Prevenção e Vigilância do Câncer do Inca, Cláudio Noronha, cita os prejuízos da urbanização como uma das explicações para a liderança. “As ocorrências de câncer de mama são mais elevadas em regiões desenvolvidas”, afirma. “As taxas altas refletem não só o sedentarismo, o tabagismo, o estresse e a alimentação irregular (típicos das grandes metrópoles), mas também o envelhecimento populacional. A incidência de câncer aumenta justamente com o avançar da idade”, completa.

Para 2010, o Inca projeta uma taxa de 49 novos casos de câncer de mama em cada 100 mil habitantes em todo Brasil. No Rio de Janeiro, o índice é de 88,30 casos também para 100 mil mulheres, ou seja, 39,3 pontos acima da média nacional. No Rio Grande do Sul, o cálculo mostra 81,57 novos casos e, em São Paulo, 68,04. Os números das capitais destes Estados mostram uma incidência ainda mais expressiva: as taxas são de 114, 23; 127,71 e 89,91 respectivamente. Para se ter uma ideia, no Acre o índice é de 11,03 e no Amapá, lanterninha do País, 10,8.

Atenção aos baixos índices

As estimativas de novos registros de câncer são baseadas em prontuários médicos e em estatísticas de mortalidade de câncer fornecidas ao Ministério da Saúde por todos os hospitais do Brasil. Se as fichas médicas ajudam a evidenciar os efeitos negativos da rotina assoberbada da “mulher moderna” no câncer de mama, a ausência de dados sobre a doença também pode ser indício de que as coisas não estão bem. Segundo os especialistas, a baixa incidência de câncer de mama pode indicar que os casos existentes não estão sendo identificados pelas autoridades de saúde locais. “Muito pior do que ter câncer, é morrer de câncer”, afirma a mastologista Máira Caleffi, presidente do Instituto de Mama do Rio Grande do Sul e da Federação Nacional do Câncer de Mama (Femama).

Jovens, adultas e idosas

Para conter o avanço dos casos entre as fluminenses e cariocas, a coordenadora de vigilância do câncer do governo do Rio de Janeiro, Risoleide Marques de Figueiredo, acredita as mulheres precisam ser monitoradas antes do problema aparecer, receita que vale para qualquer Estado.

“Nossa proposta é acompanhar as pacientes não só depois da confirmação do diagnóstico de câncer. Nosso foco é também monitorar as mulheres com histórico da doença na família”, afirmou a especialista, em referência e influência genética do aparecimento do câncer.

Desde o final de 2009, a estratégia de acompanhar as pacientes do Rio começou a mudar e Risoleide já comemora o índice de 80% de pedidos de mamografias com o foco em rastrear e não em confirmar o tumor maligno nas mamas. “Outra aspecto que precisa mudar é que falamos muito da faixa-etária entre 45 e 60 anos, mas não podemos esquecer das maiores de 70. Elas sempre são esquecidas nas pesquisas e nos programas e são as principais vítimas da doença”.

Máira Caleffi acredita que para prevenir o câncer de mama, o autocuidado com a saúde deveria ser trabalhado em todas as idades. “Tanto as adolescentes precisam ter noção de que a alimentação inadequada, com muito fast food, pode resultar lá na frente em mais câncer de mama, quanto as mais velhas não podem abandonar a preocupação com a saúde”, avalia. A baixa estima com o corpo, afirma a médica, pode levar à falta de cuidado.

Em São Paulo, para que as mulheres nunca se esqueçam da necessidade do exame anual, a Fundação Oncocentro (Fosp) orienta que as mamografias sejam realizadas sempre perto da data do aniversário (recomendação para quem já apagou 50 velinhas).

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Alerta: ocorrências da doença são mais elevadas em regiões desenvolvidas
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