Conheça os métodos contraceptivos indicados para o período pós-parto

Amamentar ajuda a manter alto o nível de estrogênio
Getty Images
Amamentar ajuda a manter alto o nível de estrogênio
Mulher que está amamentando não corre o risco de engravidar. Certo? Nem sempre. O elevado índice de hormônios presentes no organismo feminino após o parto é necessário para viabilizar a amamentação e isso, na teoria, seria capaz de impedir a ovulação. “Mas, na prática, algo pode dar errado”, alerta Eliseu Tirado, ginecologista do Hospital Bandeirantes.

Uma pesquisa recente confirma o que muitos médicos já testemunharam em sua experiência clínica. A gravidez pode acontecer até três semanas após o parto.

O estudo, que acaba de ser publicado na revista científica “Obstetrics & Gynecology”, é uma análise de diversas pesquisas com mulheres após o parto.

Leia também: Combinações perigosas ameaçam a pílula

“A amamentação impede a ovulação quando é dado leite ao bebê várias vezes ao dia, cerca de seis vezes. Menos que isso, o risco de ovular (e de engravidar) é maior”, explica o ginecologista Rogério Bonassi Machado, presidente da comissão de anticoncepção da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Se a mulher não amamentar, o risco de engravidar pode existir logo na terceira semana após o parto, de acordo com o estudo publicado na revista científica. Contudo, a ovulação começa a se tornar mais frequente entre mulheres a partir da sexta semana pós-parto.

Melhor método

Mas não pense em sair tomando qualquer pílula anticoncepcional. Isso porque a maioria delas tem estrogênio, hormônio que apresenta índices elevados no organismo feminino por meses após o parto. Essas pílulas são contraindicadas.

“A mulher deve tomar uma pílula de progesterona”, recomenda Machado. Este tipo de medicamento é seguro para os meses pós-parto e igualmente eficaz. “Se a mulher estiver amamentando, as pílulas de estrogênio podem prejudicar a qualidade do leite”, alerta o médico da Febrasgo. O excesso do hormônio interfere nas proteínas do leite.

Outros métodos contraceptivos também podem ser adotados, como preservativo, DIU e injeções de progesterona. Mas, antes disso, o ideal é que a mulher fique alguns dias sem atividade sexual até uma avaliação ginecológica.

Minipílula

Existem dois tipos de pílula de progesterona. Uma delas consegue realmente impedir a ovulação, enquanto outra, chamada de minipílula, não consegue. “Ela age engrossando a secreção próxima ao colo do útero, impedindo a passagem do espermatozóide”, esclarece Machado.

As duas têm eficácia comprovada, embora as pílulas que impedem a ovulação sejam mais confiáveis. A vantagem da minipílula é que ela tem menos contraindicações, portanto pode ser uma alternativa para mais mulheres no pós-parto.

    Leia tudo sobre: gravidez
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.