Apesar de incomum, problema também pode atingir crianças

Os especialistas em neurocirurgia estão sempre em alerta quando um menino ou menina dá entrada na unidade após um desmaio repentino, uma dor de cabeça mais intensa, visão dupla ou outros sintomas cerebrais. Apesar de incomum, o acidente vascular cerebral (AVC) pode acometer crianças.

Os dados sobre a incidência nacional de AVC em crianças não existem, mas nos Estados Unidos a estimativa é que acontecem de 3 a 8 casos em cada 100 mil habitantes. Em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde contabilizou durante o ano passado 177 acidentes vasculares cerebrais em crianças com menos de 14 anos. Em 2008, foram 266 registros.

“Não há um cenário de aumento de AVC em crianças. O que temos são médicos mais atentos que comunicam mais os casos”, afirma neuro-pediatra do Hospital Infantil Darcy Vargas, Paulo Breinis. “Ainda sim, há um despreparo grande por parte dos pediatras para reconhecer os sintomas e tratar um derrame em crianças.”

O AVC ocorre quando há uma interrupção do fluxo sanguíneo para determinada área do cérebro, provocando um infarto ou hemorragia. Em 90% dos casos algum membro do corpo para de funcionar. Os sintomas mais freqüentes são: diminuição da força muscular, que pode ser localizada ou generalizada, perda da consciência, defeito no campo visual, dificuldade na fala, dor de cabeça e convulsão, entre outros.

“Não existe prevenção para o AVC na população infantil. Algumas crianças fazem parte de grupo de risco para o AVC, como portadores de anemia falciforme, cardiopatias congênitas e diabetes. Os fatores de risco da doença na infância, por enquanto, são diferentes dos casos em adultos”, afirma Breinis ao ressaltar, no entanto, que os problemas de adultos que cada vez mais acometem crianças – (hipertensão arterial, obesidade, infarto – aumentam mais o risco do problema.

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