Célia Maria da Silva Amorim, 55 anos, diz que o sal não frequenta mais a mesa da família

O Delas entrevistou três mulheres – uma empresária, uma nutricionista e uma médica – para saber como elas incluíram os hábitos saudáveis e deixaram de fora a obesidade, a hipertensão e o sedentarismo de suas rotinas, as três vilãs modernas .

Leia a seguir a entrevista com a nutricionista que combateu a própria pressão alta – que afeta 28% das mulheres brasileiras – tirando o sal da mesa. Célia Maria da Silva Amorim, 55 anos, ainda tem como desafio encontrar uma atividade física prazerosa e também driblar as preocupações com o orçamento domésticos, os gatilhos de suas crises hipertensivas.

Veja também :

Ex-fumante e livre de todos os fatores de risco

Empresária do próprio bem-estar

Delas: Quais foram os primeiros sinais de que a hipertensão havia chegado a sua vida?

Célia: Demorei para admitir que ela fazia parte da minha rotina. Há uns cinco anos, estava trabalhando no posto de saúde onde atuo até hoje e comecei a passar mal. A enfermeira mediu a pressão e naquela

ocasião estava muito alta, mas achei que era um sintoma pontual. Passou e eu fiz questão de não lembrar. Semanas depois, eu lembro que estava muito preocupada por causa das contas domésticas e passei mal mais uma vez. Levei um puxão de orelha da equipe de saúde do meu trabalho. Fui a um clínico geral, comprei um aparelho de pressão e achei que daria conta sozinha. Não deu certo, as cãimbras aumentaram, o mal-estar também, parei de ser teimosa, fui ao cardiologista e minha pressão estava em 19 por 11 (o ideal é 12 por 8). Fui medicada e tomo remédios diariamente.

Delas: Além dos comprimidos, o que mais mudou no dia a dia?

Célia : O sal não frequenta mais à mesa da minha família. Esta mudança de hábito foi a mais difícil. Meu marido adorava ir ao supermercado, comprar carnes e ele mesmo temperava bastante. Depois da minha hipertensão diagnosticada, não dá mais para fazer isso. No começo ele e as minhas filhas reclamaram bastante dos novos sabores. Mas no fim das contas, a qualidade nutricional de todo mundo melhorou.

Delas: Além da hipertensão, outros dois inimigos femininos são o sedentarismo e a obesidade. Estes a senhora conseguiu vencer?

Célia: Mulher sempre quer emagrecer e eu, apesar das caminhadas, não consegui encontrar um exercício físico que me dê prazer e satisfação. Quando era jovem fazia muita ginástica, levava as minhas filhas. Agora tenho mais dificuldade. Brinco que não vou nem arriscar a comprar aparelhos como esteira ou qualquer outro para não virar cabide de roupa.

Delas: Nestes cinco anos de experiência com a hipertensão, já deu para definir o que influencia mais? As preocupações no trabalho ou as preocupações domésticas?

Célia: A hipertensão é silenciosa, né? Quando ela se manifesta, as coisas já não estão bem. Eu primeiro sinto uma dor de cabeça bem específica, que é bem em cima da cabeça mesmo. Quando tomo vinho, por exemplo, sinto os sintomas. Mas as emoções e o nervosismo influenciam demais. E, para mim, as preocupações domésticas são mais nocivas. As contas para pagar e o medo do orçamento ser menor do que o mês são os grandes gatilhos das minhas dores de cabeça resultantes da pressão alta.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.