Em pacientes mais velhas, a proteção hormonal pode ser anulada pela procura tardia por tratamento

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Uma das metas para reduzir o câncer de mama é começar o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico feito pela mamografia
O diagnóstico precoce, de qualquer doença, sempre é considerado um ponto positivo pelos médicos, pois aproxima as chances de cura e aumenta as opções de tratamento. Esta importante ferramenta da medicina é ameaçada por uma filosofia partilhada pelas mulheres que seguem a linha do “quem procura acha”.

Para a população feminina que já passou dos 65 anos, este jeito de encarar o autocuidado pode fazer com que a classificação “amena”, recorrentemente dada ao câncer de mama nesta faixa-etária, dê lugar ao rótulo perigoso para o tumor maligno na região.

“Quanto mais idade tiver a paciente, menores são os índices totais de câncer agressivos, até por influências dos hormônios, fase típica da menopausa”, explica o mastologista do Hospital Albert Einstein, Sérgio Simon, que é presidente do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama. Mas esta vantagem etária é anulada caso a procura pelo tratamento especializado seja tardia.

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Esta ainda é uma realidade brasileira, pois apesar da maioria dos casos deste tipo de câncer estar concentrada na faixa etária acima dos 50 anos, mais da metade dos 50 mil diagnósticos anuais da doença é feita em fase avançada. O índice de mortalidade da doença, de acordo com Federação Nacional das Associações de Câncer de Mama (Femama) é de 25%, dez pontos a mais do que a taxa de óbitos norte-americana.

Os especialistas afirmam que, além das senhoras se preocuparem menos com a região das mamas – até por mudanças na vida sexual – as pacientes temem fazer os exames preventivos justamente por medo dos resultados.

Leia a história de Tânia Gomez, pedagoga que venceu o câncer de mama aos 60 anos: “Foi o diagnóstico precoce que salvou a minha vida.”

Outro fator que ameaça os índices de cura para as mulheres mais velhas com câncer de mama é a obesidade, em ascensão no universo feminino . Segundo o mastologista da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Gomes, é a menor dosagem de estrogênio, típica nesta faixa-etária, que faz com que as neoplasias nas mamas sejam menos agressivas em pacientes com mais de 65 anos. “O problema é que a mulher obesa, não importa a idade, apresenta maior concentração deste hormônio.”

Um levantamento feito pelo Instituto Nacional do câncer (Inca) mostra que só o controle do peso já evitaria 28% dos casos de câncer de mama.

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