Pequenos cortes, unha encravada e falta de cuidados na pedicure são portas de entrada para doenças

Pés: lavar com água e sabão é medida preventiva e de controle de infecções
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Pés: lavar com água e sabão é medida preventiva e de controle de infecções
A dor é instantânea e provoca gritos, calafrios pelo corpo todo. Depois do choque inicial, porém, os pés voltam a ser esquecidos. Calçar o sapato e caminhar pode virar a mínima das complicações perto do que um corte ou uma unha encravada são capazes de provocar no organismo.

Toda ferida, quando não tratada, se transforma em uma potencial porta de entrada para bactérias e vírus. Nos pés, a lógica se mantém e ganha um agravante: a maioria não relaciona os sintomas típicos de infecção àquele corte tão pequeno e aparentemente insignificante.

“As pernas e os pés são dois dos lugares que mais machucamos. Essas feridas são facilmente transformadas em infecções. Os pés têm um contato involuntário com muitos ambientes contaminados”, alerta Paulo Olzon, clínco e infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Andar descalço pode ser delicioso, mas quando há algum corte aberto nos pés, os riscos se elevam. A recomendação do especialista é simples e eficaz. Lavar com água e sabão é medida preventiva e de controle. O médico da Unifesp ressalta que é importante proteger o local para evitar a contaminação, mas não se pode abafar ou impedir a entrada de ar.

“O mais recomendado é a higienização. É fundamental manter a área limpa e estar atento nos sinais que o organismo emite. Secreções, inchaço e vermelhidão indicam que o corte está inflamado e precisa ser tratado.”

A erisipela é uma das complicações que simples ferimentos podem provocar. A bactéria é comum e se propaga para os vasos linfáticos. Provoca vermelhidão nas pernas e pés, febre alta e calafrios. O tratamento exige o uso de antibióticos e acompanhamento médico. “Qualquer traumatismo pode ser porta de entrada da erisipela.”

O comprometimento do sistema imunológico também amplia o potencial de ação das bactérias e vírus, revela o infectologista da Unifesp. Feridas abertas somadas a baixa resistência do organismo são capazes de provocar até uma infecção generalizada. Nesses casos, o quadro passa a ser grave e a bactéria chega a atingir o cérebro, o coração, o fígado e demais órgãos.

Nos diabéticos, os cuidados devem ser ainda mais intensos. A circulação sanguínea desses pacientes já é comprometida e os prejuízos de um simples corte podem ser ainda maiores e mais severos. “A infecção se alastra mais rapidamente porque não existe resistência no local. É preciso muita cautela. Um processo inocente pode se tornar um grande problema.”

Hepatite na pedicure

A contaminação pelos vírus da hepatite B e C por meio de instrumentos mal esterilizados há muito deixou de ser lenda e ganha números nos hospitais do País. Ana Carla Carvalho de Melo e Silva, infectologista do Hospital Emilio Ribas, alerta que os casos existem e não são raros. “Manicure, tatuagens e piercins devem ser considerados como vias de contaminação. É preciso usar autoclave, como é feito em hospitais.”

A especialista revela que hoje há estudos e pesquisas que já incorporaram esses ambientes como possíveis transmissores dos vírus da hepatite. Casos e relatos de pacientes atendidos nos hospitais também comprovam o potencial de risco. O ideal, recomenda a médica, é não compartilhar alicates ou se certificar de que o salão de beleza ou o estúdio de tatuagem tem esse tipo de preocupação com a esterilização dos instrumentos.

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