Hormônios e negligência dos sinais justificam quadro mais agressivo

Tricia Vieira / Fotoarena
Ellen Renildes da Silva
Na fase jovem, enganam-se as mulheres que limitam os cuidados com as mamas apenas à estética. A saúde mamária também faz parte do check-up completo feminino e parte da consulta completa com o ginecologista .

O câncer de mama também é componente deste ranking de cuidados e, apesar do governo federal determinar os 55 anos como idade limite para as pacientes começarem a fazer exames de mamografia uma rotina anual, isso não indica que antes desta faixa etária os seios devem ser negligenciados.

Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde endossa essa orientação, mostrando o câncer de mama como a quinta causa de morte mais recorrente entre a população feminina em idade fértil – entre 10 e 45 anos. Mamagorafia não é a única forma de cuidar das mamas.

Uma pesquisa feita pelo Grupo Brasileiro de Estudos para o Câncer de Mama – realizada em 28 centros de oncologia especializados do País – mostrou que a idade média da paciente brasileira com neoplasia mamária é 59 anos. Mas no levantamento ficou comprovado que exatamente 25% dos tumores acometem mulheres antes dos 50 anos, “fase em que a doença tende a ser mais agressiva por causa da influência do estrogênio, hormônio que aparece em maior quantidade em jovens”, explica o mastologista da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Gomes.

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Além da composição hormonal da mulher, existe outro fator que explica a agressividade do câncer de mama juvenil, avalia o médico do Hospital Albert Einstein e presidente do Grupo Brasileiro do Câncer de Mama, Sérgio Simon. “Como está segura pela idade, muitas vezes a mulher mais jovem não dá muita bola para um possível indício de doença”, afirma Simon. “E inacreditavelmente os médicos que atendem estas mulheres também negligenciam os sinais, o que contribui para a procura mais tardia da ajuda especializada”, completa.

No Instituto do Câncer do Estado de São Paulo foi registrado um aumento de mulheres jovens atendidas na unidade e atualmente 15% delas têm menos de 45 anos . Nas oficinas terapêuticas oferecidas no local, além de ensinar que é possível preservar a beleza no câncer de mama , os grupos discutem os anseios desta população mais nova que, além da cura da doença, também querem preservar outros quesitos, como a fertilidade. As clínicas de inseminação artificial, inclusive, já trabalham com esta demanda de pacientes.

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