Não sentir os sintomas clássicos do infarto aumentaria o risco de morte mesmo recebendo cuidados médicos, diz pesquisa

Dor no peito: duas em cada cinco mulheres não têm esse sintoma quando infarta
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Dor no peito: duas em cada cinco mulheres não têm esse sintoma quando infarta
Duas em cada cinco mulheres que sofrem ataque cardíaco não sentem dores no peito, segundo um novo estudo norte-americano.

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Ao contrário, elas normalmente têm sintomas difíceis de reconhecer, como dor no maxilar, no pescoço, nos ombros ou nas costas e desconforto no estômago, ou dificuldade súbita para respirar, disseram os autores. Isso pode ser uma das razões pelas quais as mulheres também têm um risco maior de morrer de ataque cardíaco quando estão no hospital, quando comparada aos homens, apontou o estudo.

“Os sintomas característicos de um ataque cardíaco são dor e desconforto no peito. Mas, as mulheres são mais propensas a ter uma apresentação diferente do infarto”, disse o principal autor do estudo, John Canto – diretor de educação, prevenção e pesquisa cardiovascular na Clínica Watson e diretor do Centro de Dor Torácica do Lakeland Regional Medical Center, na Flórida.

Homens e mulheres que têm fatores de risco para doença cardíaca, como obesidade, diabetes , pressão alta , colesterol elevado ou histórico familiar de doença cardíaca , devem ficar particularmente preocupados, se apresentam os sintomas mencionados acima.

“A realidade é que a maioria das pessoas que tem desconforto e dor no peito não está tendo um ataque cardíaco. Mas você não pode esperar para descobrir isso sozinho. Se demorar a procurar tratamento, pode ficar fora da janela de tempo na qual é possível começar um tratamento mais eficaz”, diz Canto.

O estudo está na edição de fevereiro do Journal of the American Medical Association (JAMA). Os pesquisadores analisaram dados de mais de 1,1 milhão de pacientes atendidos em hospitais dos Estados Unidos por conta de ataques cardíacos entre 1994 e 2006. Cerca de 42% eram mulheres, que também eram, em média, mais velhas do que os homens quando tiveram o problema.

Entre homens e mulheres, pouco mais de 35% (um em cada três) não tem dor no peito. No entanto, elas tinham mais probabilidade de experimentar um ataque sem dor torácica em relação aos homens, em uma proporção de 42% contra 31%, respectivamente.

Óbitos hospitalares por ataque cardíaco também eram mais comuns entre as mulheres: 14,6% delas morreram ainda no hospital, em comparação com pouco mais de 10% deles.

Suzanne Steinbaum, diretora da divisão de doenças do coração em mulheres no Hospital Lenox Hill, em Nova York, e porta-voz da American Heart Association, lembra que outros sintomas cardíacos que as mulheres podem ter durante um infarto incluem sudorese, náuseas e sintomas semelhantes aos da gripe.

Embora possa ser difícil ligar esses sintomas aos de um ataque cardíaco, se “de repente as atividades diárias se tornam exaustivas, e você sente que simplesmente não consegue funcionar, é preciso procurar um médico ou um hospital. Se não é seu coração, e daí? É melhor prevenir do que remediar”, aconselha a médica.

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A especialista também aconselhou as mulheres a serem mais assertivas com os médicos sobre suas preocupações. Diga: “Acho que estou tendo um ataque cardíaco”, ela recomenda. Os homens também precisam dar atenção a este conselho, pois também podem não ter os sintomas clássicos de dor no peito, acrescenta.

O estudo constatou que para homens e mulheres, mas especialmente para as mulheres jovens – ataques cardíacos sem dor no peito foram associados com um risco maior de morte. Uma das razões principais, diz Canto, é que as pessoas normalmente demoram para procurar um hospital, e uma vez que pedem ajuda ou procuram um local, acabam minimizando os sintomas, levando os médicos a considerá-las como casos menos urgentes.

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No caso das mulheres, disse Canto, as taxas mais elevadas de mortalidade podem ainda ser ligadas a diferenças biológicas da doença cardíaca entre os sexos. Quando os pesquisadores compararam as mulheres sem dor no peito e os homens sem dor no peito, eles ainda encontraram um maior risco de morte nelas.

* Por Serena Gordon

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