Estudo foi realizado com mais de 6000 pessoas, nos Estados Unidos. Condição é mais comum em mulheres entre 50 e 65 anos

Iris Galetti, física e professora de pintura, sofreu um infarto atípico grave em janeiro de 2008
Guilherme Lara Campos / Fotoarena
Iris Galetti, física e professora de pintura, sofreu um infarto atípico grave em janeiro de 2008
A síndrome do coração partido - uma condição cardíaca temporária causada por estresse físico ou emocional extremo - ocorre mais em mulheres do que em homens, sugere um novo estudo. O fenômeno, cujo gatilho pode ser a morte súbita de um ente querido, um acidente de carro ou mesmo uma festa surpresa, é 7,5 vezes mais comum em mulheres.

O número é mais alto naquelas com mais de 55 anos: de acordo com os pesquisadores, elas estão 2,9 vezes mais propensas a desenvolver a síndrome do que as mulheres mais jovens.

Conheça a história de Iris Galetti, que sofreu com a síndrome do coração partido

“Nós sabemos que as doenças cardíacas começam de forma diferente nas mulheres. Se isto é um efeito externo sobre o músculo cardíaco ou uma diferença na maneira como se comportam os vasos sanguíneos, ainda está para ser compreendido", disse Stacey Rosen, presidente adjunto da cardiologia na Long Island Jewish Medical Center em New Hyde Park, NY, que não paerticipou do estudo.

Pesquisadores da Universidade de Arkansas apresentaram o estudo nesta quarta-feira (16) na reunião anual da American Heart Association (Associação Norte-Americana do Coração, em tradução livre), em Orlando, Flórida (EUA).

Conhecida clinicamente como cardiomiopatia Takotsubo, a síndrome do coração partido amplia temporariamente o funcionamento de parte do coração , enquanto o restante do órgão continua suas funções normalmente ou com contrações mais fortes. Os sintomas imitam um ataque cardíaco e provocam dor no peito, falta de ar, batimento cardíaco irregular e fraqueza generalizada. A condição é tratável e geralmente se resolve em uma semana.

O estudo analisou registros de um banco de dados de âmbito nacional em 2007 e descobriu que, dos 6.230 casos, mais de 89% foram em mulheres.

Cerca de um terço dos pacientes tinha entre 50 e 65 anos, enquanto 58% tinham mais de 65 anos. As chances de desenvolver síndrome do coração partido foi 9,5 vezes maior em mulheres do que homens de 55 anos ou mais velhos.

“É a primeira vez que temos uma doença que mostra de forma tangível a conexão entre a mente e o coração”, disse Suzanne Steinbaum, diretora de saúde da mulher e doenças do coração no Hospital Lenox Hill, em Nova York.

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“Eu não acho que devemos subestimar os efeitos da mente sobre o coração”, acrescentou Steinbaum, também porta-voz da AHA. “O stress constante, tão prevalente hoje em nosso mundo, nos dá uma espécie de janela para observar como o estado emocional influencia nosso coração.”

Mas os especialistas ainda estão tentando descobrir por quê as mulheres sofrem muito mais desse problema. Diferenças hormonais entre os sexos e variações nas artérias coronárias podem ser a peça chave, acreditam Rosen e Steinbaum, mas mais pesquisas são necessárias.

“É verdade que as mulheres são mais emocionais e reagem dessa forma, embora eu não ache justo para os homens dizer que se algo é emocionalmente perturbador, eles não estão sentindo", disse Steinbaum.

“Esse tipo de pesquisa há 10 ou 15 anos era muito incomum”, Rosen observou. “O fato de que as diferenças de gênero no coração estão sendo estudadas agora é uma coisa muito importante.”

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