Ele é o principal órgão estudado em pesquisas com essas estruturas

Linhagens de células-tronco: esperança à luz do microscópio
Getty Images/Stockbyte Silver/John Foxx
Linhagens de células-tronco: esperança à luz do microscópio
Ainda é apenas uma luz no fim do túnel, mas os cardiologistas brasileiros estão empenhados em seguir pelo caminho das células-tronco.

No País, são ao menos três grandes estudos que tentam mensurar o impacto positivo do uso desse tipo de célula para melhorar a vida de pacientes infartados, com doença de chagas e outros problemas do coração .

A medicina ainda não tem a resposta certa sobre quais são os benefícios das células-tronco, mas os especialistas defendem com unhas e dentes que a prática é hoje a mais promissora da ciência.

A evidência é que este tipo de célula tem a capacidade de regenerar órgãos vitais que possam estar danificados a ponto de ser necessário um transplante. A utilização também poderia ser para recuperar peles e tecidos, de pessoas acidentadas, por exemplo. Não há, no entanto, nenhum resultado conclusivo sobre a aplicação do procedimento no dia-a-dia. Por ora, as pesquisas investigam de forma experimental.

As células-tronco se dividem em adultas e embrionárias. O primeiro grupo já foi encontrado em diversas partes do corpo, mas é na da medula óssea que se concentra a maior parte do uso bem sucedido desse tipo de célula – o transplante de medula, usado para tratar doenças do sangue, como leucemias e linfomas, nada mais é do que um transplante de medula óssea. Hoje, as pesquisas experimentais com esse tipo de célula são feitas da seguinte forma: as células-tronco são retiradas da medula óssea do próprio doente e aplicadas diretamente no órgão que precisa de tratamento.

O outro grupo, o das células-tronco embrionárias, como o nome já diz, é encontrado especialmente nos embriões humanos em um estágio de desenvolvimento conhecido como blastocisto. Esse tipo de célula-tronco ainda não foi muito explorado pelos cientistas por conta de questões éticas e religiosas – a igreja católica, por exemplo, é contrária à utilização delas por entender que seu uso significa terminar uma vida.

“Por conta disso só as células adultas são aplicadas em projetos de pesquisa. E a nossa constatação é que os estudos promovem um otimismo cauteloso”, define a cardiologista Valéria Bezerra de Carvalho, que coordena as pesquisas com células-tronco no Hospital Sírio Libanês. No Sírio, atualmente, 20 pacientes com doenças de chagas são submetidos, de forma experimental, à aplicação de células-tronco. No Brasil todo são 153.

“Os resultados preliminares mostram que não houve redução do tamanho do coração (um dos sintomas mais perigosos da doença), mas uma importante melhora da qualidade de vida, como retorno da capacidade para fazer determinados exercícios físicos”, afirma Valéria. As limitações das conclusões do estudo, explica a especialista, é que os pacientes estudados estão em fase muito avançada da doença e as células-tronco foram retiradas dos próprios participantes. “Ainda temos muitas dúvidas sobre a quantidade e o tipo de células que temos de usar. Precisamos investigar mais.”

Além da doença de chagas, outros problemas cardiovasculares estão no alvo das pesquisas com células-tronco. O Instituto do Coração de São Paulo (Incor) investiga os efeitos delas em pacientes com angina que colocaram ponte de safena. No Rio de Janeiro e na Bahia, além de chagas, os infartados também são monitorados.

Da cabeça aos pés

A cardiologia é hoje a área que mais concentra ensaios científicos sobre células tronco, mas não a única. Os cirurgiões plásticos estão empenhados em descobrir benefícios dessas célula que, até onde se sabe, têm a capacidade de se diferenciar em praticamente todos os tipos de células que compõem o organismo humano – são centenas.

Os neurologistas estudam o uso para tratar problemas motores e o mal de Parkinson, e nefrologistas e hematologistas pesquisam a aplicação em doenças renais e deficiências no sangue.

Segundo a Sociedade Brasileira do Diabetes, em Ribeirão Preto (interior paulista), pacientes com diabetes do tipo 1 também são alvo de estudos com células-tronco adultas. A ideia inicial foi usá-las para refazer o sistema imunológico, numa tentativa de fazer o corpo voltar a produzir insulina. Alguns anos depois do início do estudo, entretanto, metade dos pacientes teve recaída. A pesquisa continua.

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