O Processo Hoffman e um curso intensivo de autoconhecimento que ensina como dominar suas emoc?es de uma forma positiva. Mas sera que isso da resultado?

Quando nossa editora nos pediu para escrever sobre o Processo Hoffman, achamos que seria facil, ja que vez ou outra ouvimos falar sobre uma pessoa que participou do programa e cuja vida melhorou bastante, ou mudou completamente. Foi tudo, menos facil.

Vamos comecar explicando o que e o Processo Hoffman. Segundo Heloisa Capelas, diretora do Processo, e um curso intensivo de reeducac?o emocional e autoconhecimento. Segundo ela, o programa da aos participantes a oportunidade de mudar qualquer programac?o mental que influencie sua historia, seus comportamentos ou suas atitudes, livrando-se de padr?es negativos e dominando suas emoc?es de uma forma positiva.

O Processo Hoffman foi criado por Bob Hoffman, nos Estados Unidos, em 1967. Ainda segundo Heloisa, Bob estruturou o Processo combinando diversas tecnicas terapeuticas com o objetivo de despertar a grande fonte de amor que cada um tem dentro de si. Hoje, o Processo e aplicado em 12 paises, inclusive no Brasil, onde acontece em hoteis especialmente preparados, no interior de S?o Paulo, em Salvador, em Goiania e em Cuiaba.

Mas sera que da certo?
Explicar o Processo foi a parte facil. Conseguir depoimentos falando bem do processo, tambem ? tem varios na internet: na homepage do Processo Hoffman, nas comunidades do Orkut. A parte dificil foi conseguir entrevistar algum processado, como as pessoas que participaram do curso se autoproclamam. No Orkut, s?o nove as comunidades sobre o tema, a maior delas com quase 1.400 membros.

Entramos e lemos grande parte dos topicos ? a maioria absoluta falando maravilhas do Processo, como ele mudou a vida dos processados ? com exercicios emocionais muitas vezes dolorosos, mas sempre efetivos, segundo eles ? mas nada com muito detalhe sobre o caminho das pedras.

A unica vez em que uma pessoa detalha um pouco o que acontece no curso do Processo, ela e repreendida por outro membro da comunidade. Entramos em contato com quatro membros, solicitando uma entrevista. Uma moca respondeu, bastante desconfiada ? e depois n?o retornou mais nossas mensagens.

Curiosidade aticada, conseguimos o contato de uma pessoa que fez o curso e ? excec?o das excec?es? ? n?o gostou. Sob promessa de anonimato, ela concordou em dar uma entrevista para a gente. Vamos chama-la de Renata*.

A voz na contram?o
Ela fez o curso ha um ano, e diz que sua avaliac?o, hoje, e que n?o conseguiu assimilar o Hoffman, pelo menos n?o o que eles chamam de metas atingidas. Renata acredita que o problema comecou quando ela percebeu que n?o enxergava as coisas la dentro como seus irm?os de processo enxergavam.

N?o consegui ate hoje aplicar em minha vida sem sentir que de repente entraria em uma grande ilus?o. Pra mim, estar em um rebanh?o foi muito dificil. Eu reagia, eu perguntava, fui taxada de rebelde, mas tudo aquilo que os outros ganharam por causa desse meu comportamento eles n?o conseguiram retornar pra mim., diz ela.

Renata conta que, ate um mes atras, estava em depress?o profunda, e procurou novamente o Instituto, para uma manutenc?o. Mas depois, desistiu do Processo. Aquela sensac?o de hipnose coletiva, com a voz de comando dos professores, realmente n?o faz meu genero. Eu falei pros professores: E depois daqui, quando a gente n?o tiver mais essa voz forte de direcionamento?. E eles me responderam: Escute o CD, faca os exercicios, limpe a area, faca faxina todos os dias. Ou seja, continue se hipnotizando, deixando o controle na m?o de outra pessoa? Ela garante, porem, que, apesar de sua rebeldia, fez tudo o que o Processo recomendou, durante e depois. Ate desistir.

Eu achei que o Hofmann era necessario, continua Renata. Mas me desliguei dos meus irm?os, n?o vou mais a manutenc?o e nem respondo aos emails que recebo. Quando fui falar com meus professores, eles me demonstraram que n?o estavam disponiveis para lidar com alguem na contra-corrente das metas a atingir. Eu, porem, penso que gente e gente. Por mais que queiram colocar todo mundo no mesmo saco, Deus nos fez diferentes e eu sei o que eu sinto.

Renata finaliza seu depoimento dizendo que hoje e uma pessoa melhor, porque, depois do inferno, se sente mais capaz, mais corajosa. Ent?o o Processo a modificou? No balanco final, acho que o objetivo foi atingido. E a primeira vez que ouso falar mal do Processo. De repente, estou ate falando bem, conclui ela.

*O nome da entrevistada foi alterado


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