Crianças com necessidades especiais precisam de confiança e do direito ao aprendizado

Ter um filho com necessidades especiais requer mais atenção, alguns cuidados extras, adaptações e apoios específicos. Mas isso não significa excluir a criança do convívio social, muito menos deixar de acreditar na sua capacidade de desenvolvimento. O primeiro passo para incluí-la na sociedade é acreditar nessa criança. Se você acredita e investe ela vai te responder dentro do limite dela. E pode até te surpreender, afirma Elaine Moscalcoff, coordenadora do setor de estimulação e habilitação da APAE, Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo.

Dona Mara Olímpia de Campos Siaulys, fundadora e presidente da Laramara, Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, fundada há quase 17 anos, aprendeu com a filha que nasceu cega que não há limites para o desenvolvimento desde que haja estímulo e dedicação. Desde bebê, o ideal é ter um trabalho diferenciado, o que chamamos de intervenção precoce. Essa intervenção que acontece em alguns locais, instituições, no caso da criança cega ou com baixa visão, vai ajudá-la em pontos que ela tem mais dificuldade para que aprenda a entender o mundo usando os outros sentidos, explica. Quando dona Mara fundou a instituição, Lara tinha 13 anos. Hoje, aos 29, ela é baterista e professora de inglês e cursa a segunda a faculdade. 

Inclusão educacional
Tanto para dona Mara como para Elaine outro ponto fundamental é permitir que as crianças com necessidades especiais freqüentem o ensino comum, apesar da resistência dos pais. Como a criança aprende muito por imitação, a convivência com outras meninas e meninos é fundamental para o desenvolvimento da fala, estímulo da coordenação motora, entre outros aspectos. Normalmente, a família quer segurar ao máximo e ficam temerosos de colocar no ensino comum. Mas a experiência aqui na APAE mostra que há uma diferença de desenvolvimento enorme entre as crianças que freqüentam e as que não freqüentam a escola, diz Elaine. Na APAE, das mais de 900 crianças atendidas nos três centros de estimulação e habilitação em funcionamento na cidade, 80% das crianças em idade escolar estão na escola e as famílias dos outros 15% ainda resistem a matriculá-los.

Dados do Unicef baseados no Censo Demográfico de 2000 mostram que a inclusão de crianças com necessidades especiais no sistema educacional brasileiro ainda é um desafio. De acordo com um estudo da organização, considerando as crianças de 7 a 14 anos que não têm acesso à escola, 11,4% delas têm deficiência. E o índice sobe para 39% em relação a crianças com paralisia ou falta de algum membro. Isso significa dizer que pelo menos 179 mil crianças nessa faixa etária estão excluídas do seu direito ao ensino fundamental.

Direito esse que, como lembra Dona Mara, é garantido por lei. Todas as escolas e espaços sociais são obrigados a receber a criança. E o ideal é que se adaptem para atender às suas necessidades. Se ela é cega, tem direito a ter a máquina braile, uma bengala para se locomover dentro da escola e de casa. Se tem baixa visão, precisa de auxílios óticos, lente especial, letras e caderno com pauta ampliada, entre outros recursos.

Professor responsável
Elaine também enfatiza que além de trabalhar com a família a aceitação do filho, a inclusão exige que o educador repense o seu papel. A maior dificuldade para incluir a criança com necessidades especiais ainda está na escola. O professor acha que tem que ser hiper-especializado para ensinar essa criança, ele pensa que terá mais trabalho na sala de aula, porque a criança tem deficiência, o que é um equívoco.

Daí a necessidade, segundo Elaine, de construir com o professor a percepção de que a inclusão dos alunos com necessidades especiais é possível. Isso tudo, é claro, com o auxílio de uma rede de apoio composta pela família e outros profissionais, como fonoaudióloga, pedagoga, assistente social, psicóloga, fisioterapeuta, entre outros especialistas.    

Anote:
Laramara
(11) 3660-6432

APAE
(11) 5080-7123

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