Um novo amor da mãe traz outro homem para a vida dos filhos. Qual é o espaço dele?

O retrato da família brasileira mudou. O número de divórcios aumenta a cada dia, e é preciso se adequar a uma nova realidade. Conviver com padrasto é um desses desafios modernos. Para os pais, não é fácil ver outro homem no seu lugar dentro de casa. Na situação contrária, também existem dificuldades de lidar com os filhos de uma união anterior da esposa. Para que tudo não acabe em guerra, quais são as regras limites dessa convivência?

Um conselho é certo. O padrasto nunca deverá se colocar no lugar do pai. O novo companheiro da mãe precisa entender que seu lugar dentro daquela família é de alguém a mais, e não um substituto, mesmo se o pai biológico for ausente. A criança precisa saber que tem um pai de verdade, e que o homem que está dentro de casa é o companheiro da mãe. Uma outra figura com outro tipo de relação, orienta o psicoterapeuta de família Agenor Moraes Neto.

A relação entre padrastos e enteados deve ser de respeito, mesmo quando o assunto é a educação. Quem deve fornecer esses limites é sempre a mãe, ela é a referência. Ela delimita até onde o companheiro pode palpitar na educação dos seus filhos, diz Moraes Neto.

Mesmo não sendo o pai verdadeiro, nada impede que o padrasto construa uma relação de amor com as crianças. O sentimento precisa ser verdadeiro e não forçado. Os enteados precisam se sentir queridos para que possam confiar nessa outra pessoa. Comprar presentes não irá resolver a questão. A dedicação verdadeira pode transformar a relação entre eles e uni-los pelo resto da vida.

Foi assim que Marcelo Bressan conquistou o coração de Rafael, que tinha apenas um ano quando a mãe se casou novamente. O pai biológico apareceu apenas uma vez e não era presente na vida do filho. Hoje Rafael tem sete anos, e Marcelo não mora mais com sua mãe. No entanto, os dois mantêm uma forte ligação, e se encontram semanalmente. Eu sei que ele não é meu filho biológico, mas meu amor por ele é enorme. Vamos assistir a partidas de futebol juntos. Ele me liga quase diariamente e temos uma relação muito próxima. Rafael conhece e sabe quem é o pai verdadeiro, mesmo assim me respeita e tenho certeza também sente um carinho enorme por mim. Ele freqüenta até hoje as festas na casa da minha família, conta Marcelo.
Com os dois papéis separados, a construção da amizade e respeito é facilitada. A relação deve ser baseada na verdade e espontaneidade para que a convivência seja tranqüila. O padrasto é mais uma pessoa com quem a criança pode contar, além do pai verdadeiro e da mãe, afirmou Moraes Neto. Pensando assim, Marcelo acredita que sua relação com Rafael irá durar a vida toda. Impossível romper esses laços. Eu não sou mais casado com a mãe dele, mas ainda me sinto importante na vida da criança. Ele contou comigo durante os seus primeiros anos de vida e quero que isso continue, disse.

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