Há inúmeros fatores que podem levar uma criança a se retrair e ter dificuldades de fazer amizades. Uma das causas mais comuns é a timidez, mas ela pode estar relacionada a problemas em casa ou na família. Pais muito permissivos ou autoritários demais também influenciam no comportamento da criança, que precisa de um suporte para se sentir segura e relacionar-se.
Timidez
Segundo a psicóloga e psicanalista Maria Flávia Ferreira, a timidez pode ser uma das causas da dificuldade da criança em fazer amigos, mas não a única. De qualquer forma, esse fator não justifica a falta de ação para modificar tal situação", ressalta.
"As pessoas costumam considerar a timidez como uma característica de personalidade, o que é verdade, mas não se pode desconsiderar a dimensão que ela tem na vida da pessoa. Se a timidez começa a atrapalhar os relacionamentos e o desenvolvimento da criança, deixa de ser uma característica para se tornar um sintoma e, aí sim, é preciso tratar com um profissional responsável, aconselha a psicóloga.
Sentimento de exclusão
Muitas crianças têm dificuldades em fazer amizades porque se sentem diferentes. Gostam de brincar de detetive e odeiam jogar futebol, por exemplo. Resultado: sentem-se excluídas do grupo.
Nesses casos, os pais devem ensinar aos filhos que existem diferenças pessoais e que ser diferente não é sinal de inferioridade. Nossa sociedade massifica muito, todas as pessoas devem gostar de determinada marca, de determinado lugar ou carro, favorecendo o preconceito com relação ao diferente e dificultando as relações, exemplifica Maria Flávia.
Insegurança que vem de casa
O tipo de educação dos pais, permissiva ou autoritária demais, também pode influenciar no comportamento da criança, que pode se sentir insegura no relacionamento com o outro.
A criança, para crescer saudável, precisa de limites bem claros. Precisa conhecer o certo e o errado até para poder saber como agir na vida. Os pais da atualidade, em nome de serem amigos e compreensivos, permitem que as crianças façam escolhas para as quais não estão prontas, achando que estão proporcionando independência aos filhos, mas, na verdade, estão se ausentando de assumir o papel de responsáveis pelas escolhas deles até que eles cresçam para fazê-las, alerta a psicóloga.
Segundo Maria Flávia, quando os pais assumem o papel de cuidadores da criança, proporcionando assim segurança, ela não tem porque se excluir do convívio social.
Escola nova
Para a criança que se mudou de escola e tem o receio natural de fazer novos amigos, o conselho é que os pais estimulem o filho a conhecer o novo sem medo. Provocar nele a curiosidade e a segurança para dar oportunidade à nova situação. Não ficar tão temeroso com a capacidade da criança de poder se adaptar e gostar da novidade, aconselha Maria Flávia.
Como ajudar
Uma boa estratégia para aproximar seu filho dos coleguinhas é convidá-los para ir a sua casa tomar um lanche, levá-los ao shopping, clube, entre outros programas que ajudem a estimular a interação do seu filho com os colegas.
Na escola, os trabalhos em grupo são excelentes para derrubar barreiras e iniciar o vínculo de amizades. Seu filho, aos poucos, vai aprendendo a se relacionar com os coleguinhas à maneira dele.
Identificando o problema
Segundo Maria Flávia, a melhor forma de os pais ajudarem os filhos é tentar descobrir, via diálogo, a possível causa da dificuldade que ele está encontrando para se relacionar com outras crianças.
Se nem os pais nem a escola conseguirem identificar o problema, ela aconselha procurar o auxílio de um psicólogo infantil que possa ajudar a criança a se desenvolver com naturalidade.
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