Autores consagrados de livros infantis defendem: para incentivar a leitura nas crianças, é preciso deixar que elas escolham

Pais devem ler para seus filhos e para eles mesmos, indicam autores
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Pais devem ler para seus filhos e para eles mesmos, indicam autores
O que Pedro Bandeira, Angela Lago e Ana Maria Machado tem em comum? Além de todos serem autores infantis de sucesso, eles concordam em uma coisa: só se pode incentivar crianças a ler se os adultos também lerem. E para eles a criança precisa descobrir qual forma e por qual meio prefere ler. “Não conheço uma criança que não goste de histórias”, diz a ocupante da cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Machado, autora de mais de cem livros – entre eles “Menina Bonita do Laço de Fita” (Editora Ática).

Os autores ressaltam a importância de se contar histórias para as crianças antes mesmo que elas aprendam a ler. Ângela Lago, autora de “Cenas de Rua” (Editora RHJ), destaca que uma criança que compreende uma história consegue entender os diálogos da vida.“Os pais que contam histórias para as crianças vão formar leitores. Leitores de tudo: da vida, do dia a dia, do outro, do teatro, do cinema, da TV, da internet”, afirma Ângela.

Nesse ponto, Ana Maria diz que a leitura de quadrinhos pode ajudar em muito. “É mais difícil ler quadrinho que livro. O quadrinho exige que você saiba quem está falando, e a criança tem que perceber as relações temporais, é uma narrativa muito mais complexa”, diz. Pedro Bandeira, autor de “O Fantástico Mistério de Feiurinha” (Editora FTD), diz que os pais precisam deixar que a criança leia tudo, sem preconceitos. Só assim a sua curiosidade vai ser saciada.

Ismar Ingber
De acordo com Ângela, é importante que as crianças escolham os livros por si mesmas. “Todo o livro pode ser fechado na página 2 ou 3, não tem importância. Há livros demais, e as crianças irão encontrar algum que goste”, diz. “Não existem maus livros. Mal faz não ler”, completa Pedro. Por isso, é bom que os pais deixem que os filhos entrem em contato com livros diferentes.

Como é complicado que os pais saibam e até tenham os um grande número de títulos, a escola se torna fundamental. Os autores afirmam que o papel da escola é tanto pré-selecionar alguns livros para as crianças, quanto prover um ambiente de leitura. Ângela Lago destaca a importância da biblioteca na formação de leitores. “A leitura não está presa ao consumo, ela requer uma escolha de qualidade e um tempo grande para absorver. As crianças aprendem isso na biblioteca”, diz.

Assim, a internet também pode servir como uma plataforma para que as crianças tomem gosto pela leitura. “A internet é mais um meio escrito. Meio bastante rápido. Antigamente, tinha que procurar numa enciclopédia, que normalmente estava desatualizada”, diz Pedro Bandeira. A preocupação de que ela vai substituir o livro, segundo Ana Maria, é descabida. “A internet vai substituir o livro de consulta, o dicionário, mas não a ficção”, completa.

Segundo os autores, de nada valem todos esses esforços se os pais não lerem para eles mesmos. “Uma criança tem a tendência de comer com a mão. Ela só usa talheres porque vê os pais usando. É a mesma coisa com os livros”, resume Ana Maria.

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