Como um pai separado tenta aproveitar ao máximo seu tempo com o filho

Moisés tem sete anos e seus pais se separaram quando ele tinha apenas 10 meses. De lá para cá, o pai Guilherme Busch tenta transformar os dias que passa com o filho em momentos únicos na vida dos dois. Os finais de semana são cheios de aventura, diversão, e, claro, muito futebol! Passar mais tempo com os filhos e acompanhar o seu crescimento é sem dúvida um desafio para os novos pais, que tentam driblar os problemas modernos como a rotina pesada de trabalho, o tempo curto e as adaptações nas famílias.

O filho de Guilherme vive em uma fazenda com a mãe em Nhandeara, pequena cidade de dez mil habitantes na região de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. No começo, quando nos separamos foi tudo bem, mas eu entrei na Justiça para poder regulamentar as visitas e o pagamento da pensão. Passados alguns momentos muito difíceis, que incluem viagens dela com ele que me deixaram 40 dias sem contato, hoje tudo está bem mais tranqüilo, afirmou Guilherme.

Ele tem o direito de ficar com Moisés em finais de semana alternados e também às quartas-feiras. Uso apenas os finais de semana, já que moramos em cidades diferentes, distantes cerca de 350 quilômetros. Sinto muita falta do meu filho. A distância é um problema. Ele me cobra que arranje um trabalho mais próximo e que more na mesma cidade. Eu tento explicar que as coisas não são assim tão simples, conta Guilherme.

Para reduzir a saudade, ele fala com Moisés por telefone todos os dias. Ele conta para o pai sobre as novidades do Santos e do Botafogo, da escola e dos bichinhos que tem na fazenda. Um dos momentos mais marcantes dessa relação foi quando Guilherme mandou fazer uma faixa de 24 metros de comprimento, em 2001, enquanto esperava o resultado da Justiça para as visitas: O Botafogo de Ribeirão estava na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, e a mãe não me deixava vê-lo direito. Mandei escrever em uma faixa Moisés, papai te ama, em vermelho, com dois símbolos do Botafogo, um de cada lado, e coloquei na arquibancada durante o jogo. O fato o fez muito popular entre os torcedores do clube lembrou o pai.

Apesar da dedicação ao filho, Guilherme confessa que sente uma dorzinha no peito por saber que não pode estar todos os dias perto de Moisés, e por ele nem sempre entender isso, mas tenta fazer tudo que está ao seu alcance. Nunca, em seis anos, deixei de aparecer no final de semana. Aconteça o que acontecer, falou.

Diversão
Quando se encontram, geralmente os dois combinam alguma programação com antecedência, como reservas em hotéis, visitas ao bosque, corrida de kart, jogo de futebol na praça e jogos dos clubes da cidade. Isso sem falar na piscina do hotel e nos jantares de comida japonesa, que ele insiste em incluir no roteiro sempre aos sábados, disse Guilherme.

O momento mais feliz para o pai é quando Moisés vai para Campinas, onde Guilherme trabalha. Lá ele tem um quarto com seus brinquedos e suas roupas. O tempo que passamos em minha casa (que ele chama de nossa) é o mais legal. Posso dividir de fato as coisas com ele. Se eu pudesse, traria meu filho para morar comigo. Seria uma alegria, embora fosse exigir algumas adaptações complexas. Com sete anos ele já é um companheiro para quase tudo que eu faço, e a cada dia sinto mais falta. Costumamos dizer um para o outro que quando ele tiver doze anos virá morar comigo. A mãe sorri, contou Guilherme.

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