A maioria dos homens abandonou a postura ¿goza, vira e dorme¿ para se preocupar também com o clímax delas. Entenda até que ponto isso é positivo para você

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O curitibano Júnior*, 27, namora há três anos com Márcia, 26, e no início do relacionamento procurou um terapeuta porque achava que não dava conta do recado. Afinal, sua namorada queria transar mais vezes do que o seu corpo conseguia, o que desencadeou uma verdadeira crise psicológica.

Desde então, a saída encontrada por ele foi caprichar na qualidade do envolvimento sexual. Não sossego enquanto ela não fica completamente satisfeita e capricho nas preliminares, conta. Assim como ele, Bruno*, 31, não para até que a sua esposa atinja três (!) orgasmos. Na maioria das vezes faço esforços homéricos para que ela goze, se possível, mais de uma vez.

Engrossam o coro o dentista Mário, 29, o advogado Alex, 28, o comerciante Bruno, 34... Todos eles (e talvez o homem que esteja sentado no sofá da sua sala também) têm se preocupado em dar prazer absoluto para as mulheres. Mas até que ponto essa gentileza não se torna pressão?

Desejo x cobrança

A preocupação com o orgasmo feminino é um tanto recente, levando em consideração que há um tempo nem se imaginava que ele existia. Aos poucos os tabus foram quebrados e hoje para o homem é quase imprescindível que a mulher goze, explica o psicoterapeuta sexual Paulo Geraldo Tessarioli. Porém, percebo que essa cobrança algumas vezes tem a ver com a sua própria performance. Existem homens que começam a questionar se são bons de cama ou se os outros parceiros foram melhores quando a mulher que está na cama com ele não atinge o clímax, pontua.

Enquanto o orgasmo da mulher for uma questão de honra para o homem, a pressão pode prejudicar o relacionamento. Na verdade, toda e qualquer cobrança é prejudicial para a rotina sexual. De todas as áreas na nossa vida, a que definitivamente não suporta cobranças é o sexo. Não dá para ter cobrança de tempo, quantidade de orgasmos, lugar, hora..., avalia o especialista.

Orgasmo: dever ou direito?

Na opinião de Paulo Geraldo, enquanto homens e mulheres colocarem sobre os próprios ombros a responsabilidade pelo orgasmo do outro, o relacionamento se manterá difícil e pautado pela pressão desnecessária. Orgasmo é como talão de cheque e cartão de crédito: pessoal e intransferível. Nós somos responsáveis pelo nosso. O outro pode, no máximo, facilitá-lo, diz.

Para chegar lá, é necessário conhecer o próprio corpo e ter consciência dessa sua parcela de responsabilidade, como faz a consultora imobiliária Juliana*, 28. Eu não fico pensando se vou ou não atingir o orgasmo e caso o homem que está comigo fique perguntando se está bom, se eu estou gostando ou se eu vou gozar, o clima é quebrado na hora, aponta.

Segundo Paulo Geraldo, a primeira medida que a mulher deve tomar quando percebe a pressão masculina no ar é abrir o jogo, dizer do que gosta e o que não agrada: Se o casal tem condições de dialogar, isso será muito importante para os dois, avisa. Assim, ninguém fica esperando uma coisa que o outro não esteja disposto a oferecer.

Mais um ponto importante a ressaltar é que a maioria das pessoas tem a ideia pré concebida de que quando você faz sexo, deve chegar ao orgasmo sempre. Costumo dizer que é como ir para a Baixada Santista, partindo de São Paulo: mesmo com engarrafamento ninguém para o carro para contemplar a beleza do Parque Estadual da Serra do Mar, brinca. Por isso, enquanto o orgasmo, seja o seu próprio ou o do companheiro, for o único objetivo, os casais vão perder boas oportunidades, como se conhecer melhor, explorar o corpo do outro e experimentar as próprias sensações, finaliza o psicólogo.

* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados.


Serviço

Paulo Geraldo Tessarioli, psicólogo ( www.vivendomelhor.com.br )

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