Líderes de grupo que luta pelos direitos da mulher são homenageadas por Barack Obama por serem exemplos pacifistas

Jenni Williams e Magodonga Mahlangu recebem o
prêmio das mãos do presidente Barack Obama
AP
Jenni Williams e Magodonga Mahlangu recebem o prêmio das mãos do presidente Barack Obama
O prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos, que honra indivíduos pela coragem e contribuição à melhoria do país em que vivem, foi entregue anteontem às ativistas . A dupla, que foi recebida pelo Presidente Barack Obama na Casa Branca, representa a liderança do WOZA (Women of Zimbabwe Arise), grupo que luta pelos direitos da mulher no Zimbábue.

Elas, que também já foram vítimas de violência, estiveram presentes na cerimônia realizada na Casa Branca e foram elogiadas pelo presidente norte-americano por seus papéis contra a opressão do governo africano.

Embora tenham passado por maus bocados, ainda se sentem esperançosas em relação ao futuro do Zimbábue. De acordo com a BBC, Williams afirmou ter sido aquele o momento mais feliz de sua vida. “No Zimbábue, nós somos inimigas do Estado; já fomos presas mais de trinta vezes e uma autoridade já nos chamou de ‘relapsas criminosas incorrigíveis’; mas lá estávamos, levantando o Prêmio de Direitos Humanos na Casa Branca”, completou a ativista.

Barack Obama também demonstrou seu contentamento por estar ao lado das ativistas. “Com seu exemplo, Magodonga mostrou às mulheres do WOZA e às pessoas do Zimbábue que elas podem afetar a força de um ditador utilizando a força própria”, afirmou o governante norte-americano, referindo-se ao regime de Robert Mugabe, no poder no país africano. Para Obama, cada vez que a população vê a ativista em ação diante de forças de segurança, a ameaça de um bastão policial perde parte de seu poder.

Em ndebele (língua falada em tribos de três países do sul da África, incluindo o Zimbábue), a sigla do Women of Zimbabwe Arise, WOZA, significa “avançar”. O grupo já possui cerca de 70 mil cidadãos inscritos. Como as fundadoras, muitos já foram espancados e mais de três mil já foram presos por se manifestarem. Mesmo assim, a ordem absoluta é a não-violência; independentemente do que aconteça, revidar não é uma opção.

Desde 2002 o WOZA defende os Direitos Humanos e revela as condições econômicas, sociais e políticas do país que, para Mahlangu, está piorando desde fevereiro com a mudança política . Com mais de cem marchas contra a violência no currículo, pela reforma democrática e pelos direitos das mulheres, Mahlangu também disse estar honrada por, após lutar por tanto tempo, receber o reconhecimento do prêmio.

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