Fuja do estereotipo da ?chata? assim como ele foge da popular proposta de ?discutir a relac?o?. Qual o limite entre a conversa e a neura? Nos contamos

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E batata: basta ele ouvir a frase a gente precisa conversar ou suas variantes que a gente consegue ver no olho dele o medo, o pavor e o enfado de ter que passar por outra sess?o do que ele mais detesta na vida: a DR, a famosa discuss?o de relacionamento. N?o adianta tentar usar de eufemismos ou vocativos carinhosos, como Amorzinho, vamos falar um pouco?. No fundo, ele sente que e a mesma coisa e que la vem chumbo grosso. Engolir o que a gente quer falar tambem n?o e a saida. Estamos em uma encruzilhada?

N?o necessariamente. Luiz Alberto Py, psiquiatra e psicanalista do Rio de Janeiro, ensina que uma boa conversa comeca com a descoberta do que, exatamente, a gente quer. A gente tem que se perguntar qual a nossa intenc?o com essa conversa. O que a gente pretende com ela. O que a gente pretende informar, e o que quer perguntar. So assim conseguiremos nos preparar para a conversa em si, diz Luiz Alberto.

O segundo passo, segundo o psiquiatra, e estar atenta: a conversa n?o tem que acontecer na hora em que da vontade, mas sim no momento oportuno. Deixe toda a raiva/frustrac?o/paix?o para la na hora do dialogo. A tonica tem que ser a raz?o, e n?o a emoc?o. E a minha raz?o que vai estar em contato com o parceiro, ensina ele.

Marcio Eustaquio de Castro Linhares, psicologo com especializac?o em sexologia, concorda. O dedo em riste e uma coisa que perfura a sua alma. Se voce encosta o parceiro na parede, ele n?o tem como recuar. Se ele n?o recua, ele se sente ferido. Para se defender, ele ataca. E ai os dois se perdem, diz ele. Essa historia da raz?o versus a emoc?o e nossa velha conhecida. Obviamente isso n?o quer dizer que a gente tem que parar de sentir o que sente.

A quest?o, aqui, e a forma de abordar a conversa. Luiz Alberto diz: Se eu quero conversar bem com um japones, melhor eu falar em japones, e n?o em portugues, sob o risco de eu n?o ser compreendido totalmente. Ent?o, se eu quiser conversar com um homem, melhor falar sobre o alicerce da raz?o ? a gente sempre tem que buscar a linguagem mais acessivel para o interlocutor.

Outra forma de se fazer entender e fazer sempre o exercicio da empatia. Marcio ensina: Se voce acha que lhe falta atenc?o, coloque a quest?o de forma empatica: Amor, voce acha que eu tenho te dado toda a atenc?o que voce quer/precisa/merece?. Nessa hora, ele vai ter que refletir, antes de responder. E, depois da resposta, voce pode estender a conversa: E como voce acha que eu estou sentindo isso? As vezes eu sinto que me falta um pouco da sua atenc?o, e por ai vai.

O exercicio da empatia integra as pessoas na experiencia. E simples. Se voce pergunta Voce gosta de mim?, a resposta vai vir automaticamente: Sim. Se voce pergunta: Quais as raz?es para a gente se dar bem?, ele vai parar pra refletir. E ai a base do afeto fica referenciada, explica o psicologo.

E por que essa carga t?o pejorativa, atualmente, sobre a quest?o da discuss?o do relacionamento? Marcio e da opini?o de que nossa vida num mundo urbano, caotico, so piora esse estereotipo pesado: Para tudo a gente precisa ter um rotulo, uma marca. O que e a tal DR? Nada alem do mais puro dialogo que, sob o peso do contexto negativo enfocado pela midia, nos torna usuarios de um produto que a gente acha que n?o conhece, que a gente n?o aceita. Voltemos a simplicidade! Uma taca de vinho e um bom papo ? essa e a receita para aquela conversa gostosa voltar a existir na vida do casal, ensina Marcio. Um brinde ao bom dialogo, ent?o.


Conselhos de amigo

Dicas de Luiz Alberto Py e Marcio Linhares para o bom dialogo

1. Pergunte-se, sempre, qual a sua intenc?o com a conversa: o que voce quer dizer e o que voce quer perguntar. Estes s?o os dois pilares basicos do dialogo.

2. Encontre um momento em que os dois estejam relaxados. N?o adianta conversar na hora de ele ir para o trabalho.

3. Tudo bem conversar na cama, antes ou depois do sexo. Se depois do sexo ele costuma dormir, converse antes.

4. Tenha em mente que n?o e uma discuss?o, n?o e um confronto, n?o se trata de quem tem raz?o. E uma simples conversa.

5. Tranque a emoc?o pra fora da conversa. No quarto, so voces tres: voce, ele e a raz?o. Ponto.

6. Faca o exercicio da empatia: O que voce sentiria se..., Como voce se sente, O que voce acha.... Tudo vai ficar mais facil.

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