Noivas se casam com vestidos das mães

Escolha requer esforços, adaptações e um pouco de sorte, mas homenagem à família dá significado ainda mais especial à cerimônia

Fabiana Schiavon, especial para o iG São Paulo

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Foto: Fabrícia Soares/Arquivo pessoal

Angelica, em 2008, e a mãe Lenir, em 1973: vestido da mãe e surpresa para a família

Em vez de inspirar-se nas vitrines modernas, há quem prefira modelos desenhados há pelo menos 20 ou 30 anos atrás: noivas que escolhem subir ao altar com o mesmo vestido usado pelas mães no dia do casamento. Mais do que resgatar um momento especial vivido pelos seus pais, as filham fazem uma homenagem à família e dão significado especial à cerimônia.

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Angelica Silva Morais, do Rio de Janeiro, já tinha alugado o vestido de noiva quando, dois meses antes do casamento, se deparou com o de sua mãe. Não pensou duas vezes: “É com ele que quero me casar”. E não poupou esforços para isso. Perdeu o dinheiro do aluguel já investido e dedicou-se a perder nove quilos em dois meses. Acabou fazendo poucos reparos e guardou a surpresa para toda a família. Ao entrar na igreja, em 2008, o pai e suas tias reconheceram o vestido e o momento se tornou ainda mais emocionante.

Mas ela não tinha apenas uma surpresa. “Para completar, eu quis me casar de tênis All-Star, porque o meu marido estava de tênis quando a gente se conheceu”, conta Angelica. Ela entrou de tênis rosa e ele, de preto. Angelica inovou na grinalda, sem o longo véu de 1973, ano que sua mãe, Lenir, se casou. Assim, embora estivesse com o vestido da mãe, a noiva personalizou seu look.

Do baú

Irene nasceu para ser costureira. Fez seu primeiro vestido de noiva aos 11 anos. Como era de se esperar, ela costurou o modelo de todas as suas primas e amigas. Quando chegou a sua vez, caprichou. Pensou em um modelo diferente de todos que ela já havia feito. Criou e o produziu em cinco dias. “Antes mesmo de ver o vestido da minha mãe, eu já queria um modelo com renda nordestina, mais simples”, conta a filha de Irene, Elisa Colares, do Distrito Federal. Em um dia qualquer, elas encontraram o vestido ao acaso e ele estava branco como novo.

A costureira nata, de primeira, não gostou muito da ideia. Irene sempre planejou fazer também o vestido de sua filha, como mandava a tradição. De tanto Elisa insistir, Irene acabou cedendo. O vestido, de algodão e renda nordestina, precisava só de uns ajustes para ficar mais confortável. O destino ainda entregou a mãe e filha, de bandeja, um baú com sobras da renda e tecidos usados no vestido feito em 1973. Ela ajustou a barra e as mangas e guardou o segredo para o dia do casamento dando um toque a mais de emoção à cerimônia. Elisa se casou em 2010.

<span>Elisa se casou em 2010, com o vestido originalmente usado pela mãe, Irene, em 1973</span> - <strong>Foto: Rafaela Zakarewicz</strong> <span>Foi difícil convencer Irene, uma costureira nata, a não fazer um vestido para a filha. Por sorte, um baú com retalhos originais estava guardado no armário</span> - <strong>Foto: Arquivo pessoal</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>O casamento de Maria Clara, em 2010, foi 'colaborativo'. A sogra, com muita delicadeza, ofereceu o vestido e a noiva aceitou</span> - <strong>Foto: Arquivo pessoal</strong> <span>Regina, em 1973, com o vestido original, hoje guardado pela nora</span> - <strong>Foto: Arquivo pessoal</strong> <span>Angelica Morais se casou em 2008 com o vestido da mãe, Lenir, e surpreendeu as tias e o pai ao entrar no altar</span> - <strong>Foto: Arquivo pessoal</strong> <span>Lenir no altar, com o vestido, em 1973</span> - <strong>Foto: Arquivo pessoal</strong> <span>Mas Angelica deu seu toque pessoal ao look, calçando tênis All-Star</span> - <strong>Foto: Fabrícia Soares</strong>

Como a segunda mãe

A história de Maria Clara Stoqui, de São Paulo, é bem diferente. Sem a intenção de investir muito na comemoração, ela fez uma festa colaborativa, em que amigos e familiares participaram ativamente. A amiga artista plástica ceramista fez as lembrancinhas, a prima que trabalha em uma indústria de bebidas cedeu o whisky. “Dentro desse conceito, minha sogra, Regina, chegou e, delicadamente, ofereceu o vestido de noiva dela”, lembra Maria Clara. Sem compromisso, ela foi dar uma olhada no modelo de 1977 – e ele estava intacto. Para adaptá-lo, tirou as mangas e a gola e revestiu uma parte com renda.

Mesmo aderindo ao presente da sogra, Maria Clara acabou seguindo uma história de família. Sua mãe se casou com um vestido emprestado de sua prima, que morava no Rio de Janeiro. Sem pensar ou ver o modelo, ela já aceitou, usou o vestido e depois devolveu. Regina teve uma filha, mas ela não se casou da maneira tradicional. Com a nora, ela teve a chance de ver seu vestido subindo mais uma vez ao altar, em 2010. “Gostei muito de ter me casado com o vestido dela, porque a considero como uma segunda mãe”, conta. Agora reformado, o mesmo modelo ficou com Maria Clara, que pretende mantê-lo perfeito por mais muitos anos.

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12 Comentários |

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  • REGIANE | 03/05/2011 15:09

    AS PESSOAS TEM QUE APRENDER A RESPEITAR AS OPINIÔES E GOSTOS DE CADA UM, É O DIA E O MOMENTO DE CADA PESSOA, ENTÃO CADA UM QUE FAÇA SUA ESCOLHA E CASE COMO QUIZER, NINGUEM TEM O DIREITO DE CRITICAR OU CONDENAR ISSO, SOMOS LIVRES PARA DECIDIR O QUE FAZER, PRINCIPALMENTE DO NOSSO DIA ESPECIAL!

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  • Giselly R. | 02/05/2011 10:44

    Adorei essa matéria!!\nAinda criança, achei guardado em minha casa uma sacola e mto curiosa como qualquer criança abri e descobri que se tratava do vestido de noiva da minha mãe. E desde esse dia sempre falei que quando fosse me casar seria com ele. \nMe casarei no mês de junho 2011 e com o vestido que minha mãe se casou em 1979. Precisei apenas abrir ele um pouco e resolvi colocar uns brilhos nas rendas. A grinalda também será a mesma. O Clovis que esta arrumando o meu vestido adorou a idéia e deixou meu vestido como de fosse novinho em folha. \nAgora é só aguardar chegar o tão sonhado dia....

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  • Stefany | 24/04/2011 01:30

    Cada um casa do jeito que acha melhor!!! Se a noivinha quis casar de tênis, que mal há?? Ela não estava feia, não roubou, nada demais.... Tem gente que casa sem vestido, sem celebrante e ninguem reclama!!! Cada um na sua!!! Se não tem opinião que acrescente, não a exponha... Inveja é uma coisa mesmo...

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  • Fernanda | 14/04/2011 16:43

    Cada um pensa de um jeito! Fazer do seu momento especial uma coisa diferente agora e circo??? aff ...

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  • Neia | 14/04/2011 12:46

    Somente hj fiquei sabendo desta publicação e fiquei envaidecida por ter sido responsável pela reforma do vestido de noiva que Angélica usou.\nFoi um grande desafio e muito gratificante.\n\nNeia Noivas

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  • Pamela Valegas | 12/04/2011 14:31

    Eu me case em setembro de 2002, e usei em homenagem a minha mae o vestido dela, pois no ano de 1997 ela nos deixou. meu pai quando me viu pronta para ir para a igreja foi as lagrimas, foi tanta emoçao que eu nao consegui me conter. O vestido foi feito em 1982 por uma costureira daqui de Taubate, precisei apenas trocar algumas rendas da calda pois ela media 8 mtrs de comprimento , pois com o tempo ficou dilacerada. O veu estava amarelado, mas consegui atraves de uma lavanderia voltasse a ficar branco. Somente precisei de uma coroa, pois minha mae tinha casado com flores no cabelo.... Me lembro com muito carinho dessa ocasiao...

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  • Ana Lara | 12/04/2011 08:58

    Lindas essas historias, eu tb me casei com o vestido de minha mae, um classio dos anos 80, reformei alguns itens que precisava, como a manga (que adaptei como tomara-que-caia), e a Tiara, Tb usei o mesmo véu de 15 metros, pois naquela epoca se usava (estilo Lady Daiane). Foi uma emoçao muito grande quando entrei na igreja, as minhas tias e minha avo reconheceram no ato o vestido.\nHj espero mante-lo para que minha filha use tb, se for de sua vontade e claro .. .Bjs

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  • cristina mattos | 11/04/2011 21:13

    Eu me casei com o vestido da minha sogra isso foi em 1987 e tenho o vestido até hoje , será que minha filha vai querer casar com ele ?\nReformei e fiquei linda todos elogiavam e não sabiam havia sido da minha sogra !

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    Kelly | 21/06/2011 15:29

    Prefiro morrer de catapora!!!

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  • Diana | 11/04/2011 20:46

    Sempre soube que me madrinha de batismo havia guardado seu vestido para a filha, mas ela nao teve filhas, e eu sou a unica afilhada, entao quando fui me casar nao tive duvidas, liguei e pedi o vestido emprestado. Como ela mora na holanda precisamos pensar no transporte do mesmo, por sorte minha mae foi para lá e trouxe o vestido. Fiz apenas alguns acertos no bolero do vestido, e no dia 08/07/2006 casei com o vestido usado por minha madrinha em setembro de 1987. Alem do vestido usei um colar que foi utilizado pela minha avó materna, pela minha mae e pela minha madrinha no casamento delas.\nFoi muito emocionante....\nEste ano minha madrinha veio ao Brasil nos visitar e pela primeira vez reviu seu vestido, com lagrimas nos olhos olhou cada detalhe do vestido utilizado por madrinha e afilhada!

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